Crias, os novos animais animados que mandam os miúdos dormir

Há uma nova série da RTP2 que mostra como são os animais na hora de ir dormir. A estreia é esta segunda-feira, às 20h45.

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Os ratos segundo Bruno Caetano, num dos episódios da série animada Crias, da RTP DR
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Os ouriços segundo Luís Vital e João Monteiro DR
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As gaivotas segundo Margarida Madeira DR
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Os crocodilos segundo Camille Authouart e Mélia Gilson DR

Lontras a dormirem de mãos dadas. Crocodilos bebés a dormirem nas bocas das mães. Ratos a fugirem de corujas. Estes são alguns dos animais contemplados por Crias, a nova série animada da RTP2 que, à hora das crianças em idade pré-escolar irem dormir, passa a mostrar, desde esta segunda-feira, às 20h45, no espaço Zig Zag, os hábitos pré-sono de algumas espécies. Serão, ao todo, 26 episódios, curtas vinhetas em variadíssimos estilos, feitos por 29 realizadores tanto portugueses quanto franceses.

É que Crias é uma co-produção portuguesa, que partiu de uma ideia da produtora Videolotion, que já tinha feito a série Subsolo ou filme Verão Danado, e, composta por jovens na casa dos 20 e dos 30 anos, se começou a perguntar por que não haveria uma animação de hora de dormir ao nível do Vitinho ou dos Patinhos. “Isto começou há cinco anos, numas férias no Alentejo e começaram a surgir daí várias ideias, como pegar em animais e dar-lhes um tratamento super-documental, sem terem roupinha e fizessem sons humanizados”, explicou ao PÚBLICO Joana Peralta, da Videolotion, na apresentação da série na Cinemateca Júnior, em Lisboa. 

A criação da série é creditada à produtora, mas foi Joana Peralta, que também co-realizou, em dupla com Marta Ribeiro um episódio sobre pirilampos, que escreveu as sinopses alargadas para cada episódio, que depois entregou aos realizadores para depois as trabalharem. “Temos esta coisa que é trabalhar em colectivo”, afirma. “Estávamos sempre a discutir, fizemos a lista de animais e a pesquisa juntos, eu acabei por ser apenas a pessoa que pegou no Word e no computador e escreveu”, partilha. A preocupação pedagógica da série foi garantida pela colaboração da bióloga Maria Ribeiro. “Ao pesquisar, começámos a perceber que havia coisas mesmo muito interessantes e um potencial criativo gigante na série”, conta. O objectivo era mostrar os animais no habitat natural, sem mão humana. “Preferíamos mostrar como é que as espécies deveriam viver e na maior parte dos casos não acontece”, menciona.

Segundo Bruno Caetano, um dos realizadores, cada animador recebia um conjunto de observações sobre os animais, como, no caso dele, os hábitos de divisão das tocas dos ratos ou o quão pouco estes gostam de estar perto dos humanos. Mesmo com o rigor científico, conta, havia liberdade e espaço para dar aos animais “propriedades que não eram 100% dos ratos”.

Neste longo processo, a produtora juntou-se à Praça Filmes, de Ana Carina Estróia e José Miguel Ribeiro, que lhes sugeriu a bretã JPL Films, que, no início da década de 1990, fez um estágio de formação entre Portugal e França donde saíram nomes como o próprio Ribeiro, além de Regina Pessoa ou Pedro Serrazina – destes, só Regina Pessoa não assina episódios da série. Como tal, juntaram vários realizadores portugueses, entre nomes com créditos firmados e nomes emergentes, mesmo alguns que nunca tinham feito algo do género, e a JPL trouxe animadores franceses. Cada país contribui com 13 episódios, sendo que alguns são realizados a duas mãos e há uma dupla que assina dois episódios. A ideia original era, segundo Joana Peralta, terem montado um estúdio em Lisboa onde os animadores mais experientes pudessem treinar os mais novatos, mas tal acabou por não acontecer por questões orçamentais. Ainda assim, houve acompanhamento à distância.

Do digital à mão, do 3D ao 2D, da areia ao vidro, da lontra às cegonhas pretas, das girafas aos elefantes, passando pelas vespas, os javalis ou os peixes-papagaios, cada episódio é completamente diferente, sendo ligado pela música e sonoplastia de Miguel Fernández, que trabalhou com os realizadores, cada um com graus diferentes de exigência. No campo dos realizadores portugueses, os nomes incluem, além dos já mencionados, Joana Toste, Luís Vital e João Monteiro, Rui Cardoso, André da Loba, Joana Nogueira e Patrícia Rodrigues, Isabel Alves, João Miguel Real, Margarida Moreira, e Marta Reis Andrade. Nos franceses, Rudolphe Dubreuil, Maelle Bossard, Lisa Klemenz, Camille Authouart, Mélia Gilson, Marie Larrivé, Benjamin Botella, Lionel Chauvin, Pierre Bouchon, Fabien Drouet, Fabienne Collet e Jean-Marc Ogier, Souad Wedell, e Alexis Poligne.