Doze vinhos para celebrar o Natal em grande

Nem sempre o vinho mais famoso ou mais caro é a escolha mais sensata. Numa época de tantos exageros e contrastes gastronómicos, há vinhos mais acessíveis que podem proporcionar-lhe momentos igualmente prazerosos. O importante é encontrar o casamento certo para o que vai comer.

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Enric Vives-Rubio

Para quem gosta de vinho, o Natal é sempre um momento difícil. A época é tão especial que somos tentados a abrir as melhores garrafas. Se o Natal é a festa da família, não devemos beber o melhor? Um enófilo mais radical pode responder: devemos, desde que a família saiba apreciar o que está a beber. Um consumidor normal, sem tiques de enochato, pode contrapor: que me interessa que o irmão, a irmã, o avô ou o pai não saibam apreciar devidamente um Barca Velha ou um outro grande vinho qualquer? Se é bom para mim, também é bom para eles.

Decida o leitor. Podendo, beba o que lhe apetecer. Mas lembre-se que nem sempre o vinho mais famoso ou mais caro é a escolha certa ou a mais sensata. Numa época de tantos exageros e contrastes gastronómicos, há vinhos mais acessíveis que podem proporcionar-lhe momentos igualmente prazerosos. O importante é encontrar o casamento certo para o que vai comer.

Com tantos fritos, não há nada como começar o dia ou a tarde com um bom espumante, de preferência um extra-bruto, sem qualquer sensação de doçura no final, para contrabalançar a gordura e refrescar o palato. Para o jantar de Consoada, reserve pelo menos um branco e um tinto: um branco para o polvo e um tinto para o bacalhau e o peru, se for tradição comê-lo. Também pode usar o branco com o bacalhau, desde que não seja um vinho demasiado marcado pela madeira e com pouca acidez. No final, com os doces, siga a tradição e beba um fortificado. Tanto pode ser um Porto como um Madeira ou um Moscatel.

Para o almoço de Natal, se for peru ou cabrito, deixe a repousar de véspera uma garrafa já com alguns anos de um tinto vigoroso e com algum músculo. Pode ser um Douro, um Alentejo ou um Bairrada – ou de outra região qualquer, claro. Se tiver que cometer uma loucura, é esse o momento: pelo tipo de comida e pelo significado do dia. Bem vistas as coisas, é melhor irmos bebendo o melhor enquanto podemos. Esperar pelo tal momento especial é bonito como ideia, mas a vida é demasiado incerta para fazermos grandes planos. Aproveite.