Campeão de Go deixa competição profissional porque “há uma entidade que não pode ser derrotada”

O sul-coreano Lee Se-dol foi um dos jogadores profissionais que defrontou o AlphaGo, um programa desenvolvido pela DeepMind, do Google, para jogar um complexo jogo de tabuleiro.

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Lee Se-dol durante a partida de 2016 contra o AlphaGo Kim Hong-Ji/Reuters

Se não podes vencê-los, desiste de jogar. O sul-coreano Lee Se-dol, um dos grandes mestres mundiais do jogo de Go – um milenar jogo de tabuleiro mais complexo do que o xadrez e popular na Ásia – afirmou que se retirou da prática competitiva porque as máquinas se tornaram imbatíveis.

Lee, 36 anos, foi um dos jogadores humanos a defrontar o AlphaGo, um programa desenvolvido pela DeepMind, uma empresa do Google que se dedica a investigação e a desenvolver produtos na área da inteligência artificial. Em 2016, Lee até ganhou um dos cinco jogos contra a máquina. Desde então, o programa do Google foi aperfeiçoado e já derrotou outros profissionais de topo.

“Com o surgimento da inteligência artificial nos jogos de Go, percebi que nunca estarei no topo, mesmo que me me torne o número um [do ranking mundial] à custa de esforços desenfreados”, afirmou Lee à agência noticiosa sul-coreana, a Yonhap. “Mesmo que me torne o número um, há uma entidade que não pode ser derrotada”, acrescentou.

Recordando a partida de 2016, Lee afirmou que se sentiu derrotado desde os primeiros momentos: “Sinceramente, tive um certo sentimento de derrota ainda antes do início dos jogos contra o AlphaGo. As pessoas da DeepMind pareciam muito confiantes desde o início.”

É um sentimento que os jogadores de xadrez têm há anos. Há duas décadas, o computador DeepBlue, da IBM, derrotou o então campeão mundial Garry Kasparov, um dos mais conhecidos jogadores da história do xadrez.

À medida que a capacidade de processamento dos computadores aumentou, e os programas de xadrez se tornaram mais sofisticados, tornou-se impossível para um humano derrotar os programas mais poderosos, desde que estejam a correr em máquinas apropriadas. No xadrez, os programas de computador são hoje usados por profissionais e amadores como um auxílio imprescindível aos treinos e às análises de jogos.

Para assinalar o fim da participação em competições profissionais, Lee vai jogar contra um sistema de inteligência artificial, desta feita desenvolvido por uma empresa tecnológica sul-coreana, a NHN Entertainment. Mas – e como acontece muitas vezes nos jogos de Go entre jogadores de nível diferente – as regras desta partida vão determinar que o jogador humano vai começar numa posição de vantagem.

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