Metade das mulheres com VIH/sida na Europa têm diagnósticos tardios

As mulheres são geralmente diagnosticadas mais tardiamente do que os homens e, quanto mais velhas, mais demoram a ser diagnosticadas em relação ao momento em que a infecção foi contraída.

60% dos novos casos diagnosticados na região europeia ocorrem no grupo etário entre os 30 e os 49 anos, sendo o sexo heterossexual a forma mais comum de transmissão
Foto
60% dos novos casos diagnosticados na região europeia ocorrem no grupo etário entre os 30 e os 49 anos, sendo o sexo heterossexual a forma mais comum de transmissão rita rodrigues

Metade das mulheres com VIH/sida na Europa são diagnosticadas tardiamente, um problema que afecta sobretudo as mais velhas, a partir dos 40 anos, que recebem o diagnóstico quando o sistema imunitário já começa a falhar. As conclusões constam de um relatório do Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC, na sigla inglesa) divulgado nesta quinta-feira, em vésperas do Dia Mundial de Luta Contra a Sida, que se assinala no domingo.

As mulheres são geralmente diagnosticadas mais tardiamente do que os homens e, quanto mais velhas, mais demoram a ser diagnosticadas em relação ao momento em que a infecção foi contraída. Nas mulheres a partir dos 40, o diagnóstico tardio acontece três a quatro vezes mais tarde do que nas mulheres mais jovens.

No total, as mulheres na região europeia já representam um terço dos 141 mil novos diagnósticos em 2018, indicando que é necessária maior atenção na prevenção e no diagnóstico da população feminina. Entre as mulheres, 60% dos novos casos diagnosticados na região europeia ocorrem no grupo etário entre os 30 e os 49 anos, sendo o sexo heterossexual a forma mais comum de transmissão.

O director da região europeia da Organização Mundial da Saúde (OMS), Piroska Östlim, salienta que o diagnóstico tardio nas mulheres mostra que a informação sobre a saúde sexual não está a chegar à população. “Está na hora de acabar com o silêncio em relação à saúde sexual, sobretudo no que respeita ao VIH, e de nos assegurarmos que as mulheres têm informação adequada para se protegerem”, defendeu a OMS, numa nota conjunta com o ECDC.

O diagnóstico precoce de VIH permite começar os tratamentos mais cedo e aumentar o tempo e a qualidade de vida dos doentes, além de contribuir para reduzir o risco de transmissão a outros.

O ECDC e a OMS apelam a estratégias e sistemas que tornem os testes de VIH/sida mais “amplamente disponíveis” e mais “amigos dos utilizadores”, como o auto teste e a realização de testes em organizações de base comunitária, o mais perto possível da população. Outra das estratégias para aumentar o diagnóstico precoce em mulheres passa por notificar as parceiras dos homens que são diagnosticados com VIH/sida.

Segundo o relatório do ECDC, os diagnósticos tardios são em menor proporção nos grupos mais jovens (entre os 15 e os 24 anos) e entre os homens que têm sexo com homens. Mais de 4800 pessoas já com sida morreram no ano passado nos 50 países da região europeia analisados no relatório.

Em 30 países da área económica europeia, que inclui a União Europeia, em 2018 registaram-se 822 mortes de pessoas com sida, sendo 142 delas em Portugal. Incluindo os restantes 20 países da região europeia, onde se incluem os países de Leste, o número de mortes por VIH no ano passado ascende a mais de 4800.

Desde 2009, o ano de 2018 foi, ainda assim, aquele com menos mortes atribuídas à sida, sendo que também o diagnóstico de novos casos tem vindo a decrescer.

Portugal tem vindo também a registar uma diminuição na mortalidade e no número de diagnósticos, passando de 326 mortes por sida registadas em 2009 para 142 em 2018. No total, em 2018, Portugal registou 262 casos de morte por infecção VIH/sida, dos quais 142 foram de pessoas já em estadio de sida.

De acordo com o documento do Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC, na sigla inglesa) mais de 141 mil novos casos de VIH/sida foram diagnosticados no ano passado em 53 países europeus, sendo mais de metade das novas infecções em homens que têm sexo com homens. Em 2018, do total de infecções reportadas, em 52% o modo de transmissão foi o sexo entre homens, enquanto apenas 4% diziam respeito à utilização de drogas injectáveis.