Opinião

A coragem do Papa Francisco

Esta coragem cívica é um enorme alento a todos os pacifistas e vale como estímulo, nomeadamente aos católicos pela abolição das armas nucleares.

O mundo gira à espera de melhores dias e nem sempre na melhor direção. A vida humana e a própria Terra correm riscos nunca vividos.

As alterações climáticas atingem proporções que poderão ser devastadoras. A corrida às armas, nomeadamente às nucleares, envolvendo o Cosmos, para além de ser um sorvedouro de recursos constitui uma ignomínia face à pobreza existente.

Trump assinou uma diretiva que prevê a criação de um exército ligado ao Cosmos para assegurar o domínio militar dos EUA, implicando cortes na defesa do ambiente, na cooperação internacional e na luta contra a pobreza.

Em 2018 os EUA gastaram em despesas militares quinhentos e oitenta e um mil milhões de dólares, 36% dos gastos mundiais, sendo que este país, a China, a Arábia Saudita, a França, a Índia e o Paquistão gastam 60 % de todas as despesas militares globais, segundo os dados do SIPRI (Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo).

O Papa Francisco antes de partir para a Tailândia e o Japão falou de pobres e pobreza; condenando o descarte das pessoas em nome do lucro.

Independentemente do enquadramento que o Chefe do Estado do Vaticano deu nota, a verdade é que o seu discurso visou a humanização das nossas sociedades, apelando à denúncia da ganância, do individualismo e das tremendas desigualdades sociais.

No Japão, o Papa encarnando a mais profunda aspiração dos humanos - viver em paz, considerou imoral e um crime atentatório da dignidade dos seres humanos o uso da energia atómica para fins bélicos.

Esta coragem cívica é um enorme alento a todos os pacifistas e vale como estímulo, nomeadamente aos católicos pela abolição das armas nucleares.

Quantos Chefes de Estado dos principais países de maioria católica assumem com esta singeleza este propósito?

Quantos Chefes de Estado dos países da NATO que se dizem católicos estão dispostos a concretizar este objetivo?

Que diz sobre esta matéria o nosso prolixo Presidente que comenta tudo a toda a hora? O silêncio pesa quando o dever é falar.

Não há armas nucleares boas, sejam elas estadunidenses, britânicas, russas, chinesas, israelitas, paquistanesas, indianas, francesas ou norte-coreanas. São imorais. Ameaçam-nos e ameaçam a Terra. E são um “argumento” ad terrorem na vida internacional.

Podemos ficar descansados com o tipo de homens que dirigem os Estados possuidores de armas nucleares? Têm primado pelo equilíbrio e pelo bom senso? Podemos confiar no seu poder? Que cada uma e cada um responda no silêncio da sua consciência.

A corrida às armas nucleares ofende a mais simples moralidade. Cerca de metade do mundo vive na pobreza e estes gastos de milhares de milhões constituem um insulto a essa pobreza.

Todas as mulheres e todos os homens de boa-fé, seja qual for a crença religiosa, a nacionalidade, a ideologia, devem dar as mãos pela abolição das armas nucleares.

Este apelo do Papa vai de encontro ao que a imensíssima maioria da população mundial pensa. Que todos meditem e ajam em conformidade. Antes que seja tarde.

O autor escreve segundo o novo acordo ortográfico