Chega quer aprovar candidatura a Belém antes do fim do ano

O partido de André Ventura tem sido muito crítico em relação a Marcelo Rebelo de Sousa. Agora prepara-se para escolher o candidato que vai propor para a Presidência da República.

André Ventura
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André Ventura poderá ser o candidato do Chega à Presidência da República Rui Gaudencio

“André Ventura já está a preparar a candidatura a Belém e quer fazer o anúncio no primeiro trimestre do próximo ano”. A frase está escrita hoje no jornal i e a notícia foi partilhada pelo partido Chega como notícia própria, mudando apenas o título. De acordo com o site oficial do partido, André Ventura diz que vai marcar um conselho nacional para Dezembro com o objectivo de escolher o candidato apoiado pelo Chega. “Havendo consenso ou uma maioria ampla, o candidato, se o aceitar, deverá fazer o anúncio no primeiro trimestre de 2020”, acrescenta. 

Em entrevista ao PÚBLICO antes da tomada de posse como deputado, Ventura já afirmava que o partido teria uma candidatura presidencial “forte” e autónoma às eleições que deverão acontecer em Janeiro de 2021. Apoiar Marcelo Rebelo de Sousa, que remeteu para o Outono de 2020 o anúncio de uma decisão sobre a recandidatura, nunca foi uma hipótese e o Chega indica, desta forma, querer protagonizar a primeira candidatura assumida a Belém.

O Chega tem difundido, desde que foi fundado, há sete meses, várias críticas e desafios ao chefe de Estado. Na semana passada, desafiou-o a “liderar” a visita que o seu deputado único ia fazer ao bebé abandonado num ecoponto, criticando-o por ter preferido ido abraçar um sem-abrigo que terá encontrado o bebé. “Desafio formalmente o senhor Presidente da República a vir comigo visitar o bebé abandonado no lixo, para não parecermos um país que só dá abraços a criminosos”, escreveu no Facebook.

 No início desta semana incitou o Presidente da República a conceder a Ordem da Liberdade aos responsáveis pelo 25 de Novembro e ao Regimento dos Comandos e acusou-o de querer “retirar protagonismo ao Chega” quando promoveu um almoço com Ramalho Eanes. Desafiou-o ainda a recomendar “uma celebração solene do 25 de Novembro”.

O tema serviu ainda para Ventura fazer duas publicações no Facebook onde atira a Marcelo: “Este é cada vez menos o meu Presidente. Uma verdadeira desilusão! Esta data nem deveria ser motivo de discussão!”, escreve numa. E na outra: “O Presidente da República não pode ter medo da esquerda radical ou do PS envergonhado. É tempo de afirmar Portugal sem hesitações. Se não é capaz, talvez seja preciso outro Presidente”.

Esta quarta-feira de manhã, Diogo Pacheco Amorim, vice-presidente do Chega e um dos responsáveis pelo seu programa eleitoral, voltou a criticar, no site do partido, o almoço de Marcelo Rebelo de Sousa e Ramalho Eanes para assinalar o 25 de Novembro, num post que termina assim: “Convinha que Sua Excelência, o Senhor Presidente da República tivesse presente que a lógica aristotélica, pelo menos até determinação em contrário da Presidência da República ou do inefável Boaventura Sousa Santos, continua em vigor!”

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