Tentado a comprar na Black Friday? A Deco dá alguns conselhos

Numa altura em que as reclamações sobre compras online aumentaram em 27% face a 2018, a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor alerta para as fraudes.

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Rui Gaudencio

É daquelas pessoas que está sempre à espera das promoções ou daquelas que estão apostadas em comprar todos os presentes de Natal durante a chamada “sexta-feira negra”, mais conhecida por Black Friday? A Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco) salvaguarda que esta pode “não ser a melhor época para o consumidor adquirir o que precisa”.

Depois de ministro do Ambiente ter dito que a Black Friday, dia de descontos nas lojas, é um “contra-senso” e classificou-a de “expoente máximo e negativo de uma sociedade capitalista”, quando há “evolução de consumidores para utilizadores”; e da Confederação do Comércio ter vindo defender que “não há qualquer perversidade” nestas promoções. Contudo, o Portal da Queixa recebe cerca de 30 reclamações diárias, perfazendo um aumento de 27% relativamente a 2018, por isso, a Deco alerta os consumidores que se preparam para fazer compras online ou em lojas físicas e dá alguns conselhos:

  • Preparar, pesquisar preços e recolher informação (estar atento, com antecedência, ao preço dos produtos)
  • Verificar a qualidade dos produtos (informe-se e leia as características do artigo que quer comprar)
  • Começar cedo (as melhores ofertas normalmente esgotam mais cedo. Visite a loja nas primeiras horas do dia ou, caso a compra seja online, faça-a pela meia-noite)
  • Conhecer as políticas de compra e devolução (saiba em quantos dias pode efectuar trocas e como funcionam se a compra for online)
  • Ser cauteloso (tenha cuidado com as “ofertas que parecem demasiado boas para ser verdade”. Hoje em dia já existem muitas lojas online fictícias)

A Deco também “quer alertar para a lei que foi aprovada a 14 de Agosto deste ano”, diz ao PÚBLICO Mariana Almeida, jurista do departamento jurídico e económico da associação. Em vigor desde Outubro, a lei obriga as lojas a “aplicar o desconto sempre sobre o preço mais baixo que tiveram do produto nos últimos 90 dias, sem contar com preços de promoção”, explica. É precisamente para “evitar aumentos de preços apenas em épocas como a Black Friday” e fazer com que as promoções sejam “transparentes”.

O recurso a comparadores online de preços pode ser muito útil para as épocas de grandes promoções, mas também fora delas. Para isso a Deco criou o Comparar preços, que “permite verificar aquilo que a lei vem prever”. Para a utilizar, só tem de aceder ao link, inserir o “url” do produto que quer comprar e a plataforma diz-lhe, através de um “semáforo” e de um gráfico, se é uma boa ou má compra. “Achamos esta ferramenta essencial para o consumidor”, conclui a jurista.

De utilização muito acessível, existe ainda o comparador do Kuanto Kusta, que pode ser descarregado no telemóvel, e que mostra a variação de preços num conjunto alargado de comerciantes.

Texto editado por Bárbara Wong