Opinião

A Direita autorizada e a necessária

O CDS que defendo e preconizo tem de se libertar das amarras do politicamente correcto, libertar-se da censura e dos mandos e desmandos da Esquerda Socialista e extremista que domina o sistema político e a imprensa.

Assinala-se no próximo dia 25 de Janeiro a data dos 44 anos passados desde o 1.º Congresso do CDS no Palácio de Cristal, no Porto. Será também o dia do XXVIII Congresso do CDS em Aveiro.

Na altura, cercados pela esquerda violenta e extremista, os militantes e dirigentes do CDS resistiram e combateram pela liberdade e pela democracia, na afirmação dos seus valores fundacionais.

Hoje, o CDS está cercado pela falta de identidade, cercado pela incapacidade de se assumir de forma descomplexada como um partido verdadeiramente Democrata Cristão, onde ser conservador e de Direita é uma característica natural.

O CDS que defendo e preconizo tem de se libertar das amarras do politicamente correcto, libertar-se da censura e dos mandos e desmandos da Esquerda Socialista e extremista que domina o sistema político e a imprensa.

É preciso uma verdadeira mudança, para que a esperança possa voltar a existir. Sem essa mudança o CDS estará condenado à irrelevância política e ao seu desaparecimento.

Portanto, o que temos em cima da mesa neste Congresso electivo de 2020 é a continuidade, preconizada pelo candidato co-responsável pelo caminho que nos trouxe aqui, ou a mudança para uma forma de afirmar o CDS livre de interesses e constrangimentos, devolvendo ao CDS o seu ideário de sempre, retornando o CDS aos valores fundacionais e devolvê-lo aos militantes.

Temos de reconstruir um CDS previsível, seguro e confiável, onde as causas, os valores e os princípios têm de ser a sua marca de água, a prova da sua identidade.

O CDS é também hoje um partido em que os Estatutos não se cumprem na íntegra e os órgãos não funcionam adequadamente, sendo que as bases militantes são cada vez mais afastadas das lideranças e da vida política do partido.

Veja-se a ilegalidade e a imoralidade da recusa da entrega do cartão de filiado a Manuel Monteiro por parte da secretaria-geral, a demora na resposta às solicitações feitas aos órgãos eleitos do partido, por exemplo ao nível da Jurisdição. Veja-se ainda a situação financeira do CDS, tecnicamente falido, fruto de uma gestão financeira opaca e sem escrutínio.

É este panorama e este mar de dificuldades que o próximo presidente do CDS e a sua direcção terão de enfrentar e resolver para continuarmos a ter CDS.

Ao mesmo tempo, existem desafios enormes ao nível da afirmação política do partido, dando resposta aos problemas do país e dos portugueses, respostas estas que têm de ser construídas e dadas assentes no modelo de sociedade que preconizamos, sem tabus, preconceitos ou grilhetas ideológicas impostas.

A verdadeira reforma da Justiça que a torne célere e eficaz, para todos, para ser justa. A verdadeira reforma da Saúde que restaure a confiança e a capacidade de resposta de um SNS debilitado e sub-financiado, ao mesmo tempo que estimule e permita aos privados desenvolverem a sua actividade também em complemento e parceria com o Estado, mantendo uma clara separação entre um domínio e outro.

A afirmação clara da defesa do Mundo Rural e de um combate à desertificação do interior, apostando num caminho-de-ferro moderno que una o litoral ao interior.

A reforma do sistema eleitoral, reforçando a proporcionalidade, quer seja pela criação de círculos uninominais e de compensação nacionais ou por um parlamento bi-camaral como defendem Ribeiro e Castro e Manuel Monteiro.

A assumpção plena de uma politica externa e económica que fomente e implemente as relações de Portugal com a sua identidade espalhada pelo mundo, a nova portugalidade.

Não esquecendo a soberania nacional, dando meios e condições às Forças Armadas para realizarem as suas missões, bem como o apoio e o respeito institucional e público que as Forças de Segurança e policiais têm de ter do Estado e da população em geral, apostando fortemente no combate ao crime e à corrupção. Em termos europeus, defender uma Europa de Nações e não um espaço federal onde os Estados e as identidades desaparecem e se diluem numa amálgama de um mercado exclusivamente económico.

Poderia continuar, pois os desafios que se nos colocam são inúmeros, mas o fundamental é que a Direita que o CDS tem de representar seja uma direita necessária, fundamental, para a afirmação de um modelo de sociedade positiva e saudável, onde os valores da democracia cristã são soberanos.

Não podemos continuar a ser a direita autorizada, por uma certa esquerda, como até aqui. Precisamos de nos tornar na Direita que o país precisa!

A hora é a da mudança, afirmar uma Direita a valer, por um CDS e um Portugal a sério!