Carta aberta defende repatriação de combatentes estrangeiros do Daesh

Teresa Gouveia, antiga ministra dos Negócios Estrangeiros, é uma das 26 signatárias da missiva publicada pelo European Council on Foreign Relations.

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Foto de arquivo Goran Tomasevic

O European Council on Foreign Relations (ECFR) publicou esta terça-feira uma carta aberta em que apela aos governos europeus para que iniciem de imediato um programa de repatriação dos combatentes estrangeiros do Daesh na Síria. Teresa Gouveia, que já foi ministra do Ambiente e também dos Negócios Estrangeiros, é uma das 26 signatárias da carta.

Os países europeus têm demorado “demasiado tempo” a lidar com os seus cidadãos que aderiram ao Daesh e que agora estão retidos no nordeste da Síria pelas forças curdas, pode ler-se no início da carta. Deixar estas pessoas em “prisões improvisadas e campos de refugiados sobrelotados” é “irresponsável e, no caso de crianças, desumano”, defendem.

O grupo que assina a missiva aponta vários motivos para defender o regresso dos combatentes. A repatriação “garantiria o controlo europeu dos membros do ISIS [acrónimo em inglês para Daesh] que, caso contrário, podem escapar e envolver-se em novos ataques”, consideram. Os países europeus poderiam “interrogar cidadãos repatriados da Síria para saber mais acerca das operações do ISIS” e, agindo em conjunto, “reduzir a reacção pública e os problemas logísticos” da repatriação.

Os signatários da carta, todos membros do ECFR, alertam ainda para o risco de radicalização das crianças nos campos e também para o perigo de a transferência de membros do ISIS para o Iraque para julgamento “levantar preocupações sobre a pena de morte e outros abusos dos direitos humanos”.

Para o especialista do ECFR nas áreas dos direitos humanos, democracia e justiça, Anthony Dworkin, é “compreensível que os países europeus estejam preocupados com a sua segurança relativamente a pessoas que, em muitos casos, podem permanecer comprometidas com a causa jihadista. Mas a política actual é insustentável e pode significar a perda de controlo dos combatentes estrangeiros se estes escaparem ou ficarem nas mãos do regime sírio”.

Para Dworkin, os países europeus devem “gerir activamente o seu regresso” através de recursos como “prossecução, vigilância ou reintegração, conforme apropriado”.

Texto editado por Sónia Sapage