Jorge Jesus já é “oficialmente considerado cidadão carioca”

Câmara Municipal do Rio de Janeiro homenageou nesta segunda-feira o treinador português do Flamengo.

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Reuters/HENRY ROMERO

Dois dias depois de vencer a Taça Libertadores da América e no dia seguinte a conquistar o campeonato brasileiro pelo Flamengo, Jorge Jesus deslocou-se nesta segunda-feira ao Palácio Pedro Ernesto, sede da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, onde recebeu o título de cidadão honorário da cidade da cidade brasileira. Acompanhado de familiares, o treinador português mostrou “orgulho” pela distinção e disse que antes de “ser cidadão carioca, já era cidadão brasileiro, porque Portugal está ligado ao Brasil desde 1500”.

A iniciativa de homenagear Jorge Jesus partiu de Felipe Michel, antigo jogador do Flamengo e actual vereador do Rio Janeiro, e Rodolfo Landim, presidente do clube brasileiro, considerou que a homenagem ao treinador português é “mais do que justa”.

“Não só pelos resultados do Flamengo, mas pelas características pessoais que o torna uma pessoa diferenciada. Mais importante é a intensidade que tem no trabalho dele e ao nível de detalhe. São características de um líder. Uma felicidade contar com você aqui no Rio de Janeiro e ter aceitado esse desafio de sair do conforto de Portugal e chegar para conseguir resgatar o orgulho de uma verdadeira nação. O que estão fazendo aqui é muito pouco para pagar o carinho e admiração que temos por você”, disse na cerimónia Rodolfo Landim.

Para além do presidente do Flamengo, várias personalidades políticas do Rio de Janeiro deixaram elogios ao treinador português. Jorge Felippe, presidente da Câmara dos Vereadores, disse que Jesus já é “oficialmente considerado cidadão carioca”, o que é “algo diferente”, enquanto a vereadora Tânia Bastos referiu que “se os portugueses descobriram o Brasil, o mister [Jorge Jesus] redescobriu o futebol”.

Já o governador do estado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, confidenciou que no avião, junto da equipa do Flamengo, no regresso do Peru, admirou a simplicidade do treinador, acrescentando que Jesus já parece agir com um “carioca”. “Mostrou que está incorporando o espírito carioca no seu jeito de ser. Agora, vamos fazer o baptismo dele, levando-o para ver um desfile das escolas de samba”, disse Witzel, acrescentando: “Espero que você, da mesma forma que bateu recordes no Benfica, com 10 títulos, esteja começando uma história [positiva] no Flamengo.”

Acompanhado pela mulher e pelos filhos, Jesus, com a voz por vezes embargada e visivelmente cansado, disse estar “agradecido” e com “um grande orgulho” por “uma distinção” que “tem um grande significado”. “Como português e antes de ser carioca, já era cidadão brasileiro. Portugal está ligado desde 1500 por Pedro Álvares Cabral, quando chegou a Porto Seguro. Ensinaram-me na escola que o Brasil era um país irmão, foi assim que fui educado. Se hoje estou aqui é pelo que mais amo, que é o futebol, e pela possibilidade que o Flamengo me deu de treinar o maior clube do mundo.”

Após realçar que “há uma ligação muito estreita entre” o Brasil e Portugal, Jesus agradeceu aos portugueses e destacou o “casamento perfeito” com o Flamengo, deixando, no entanto, no ar a possibilidade de deixar em breve o clube do Rio de Janeiro: “No Brasil aprendi muita coisa. Tenho aprendido com um povo muito carinhoso. Valorizo o sentimento. Se for pelo coração, ficaria no Flamengo. Toda a emoção e paixão conquistaram-me. Mas há outros factores importantes na vida de um treinador.”