Lula volta à política criticando os líderes que se querem reeleger

“Cada vez que um dirigente político começa a pensar que é imprescindível ou insubstituível, começa a nascer dentro dele a ideia de um pequeno ditador”, disse o antigo Presidente na abertura do congresso do PT.

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Lula da SIlva no congreso do PT, em São Paulo NACHO DOCE/Reuters

O antigo Presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva disse este sábado, no primeiro dia do congresso do Partido dos Trabalhadores, que se opõe à reeleição de líderes políticos, para evitar a existência de um “pequeno ditador”.

“Na minha cabeça, cada vez que um dirigente político começa a pensar que é imprescindível ou insubstituível, começa a nascer dentro dele a ideia de um pequeno ditador, e isso eu não posso aceitar”, disse Lula da Silva em São Paulo.

O antigo Presidente, que foi libertado da prisão no início de Novembro, não citou nomes, insistiu na necessidade de uma alternância no poder. Lula da Silva foi presidente entre 2003 e 2011, cumprindo os dois mandatos consecutivos que a Constituição permite. Voltou a tentar a candidatura em 2018, mas foi considerado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral ao abrigo da “lei da ficha limpa”, que diz que quem foi condenado não se pode candidatar à presidência - Lula foi condenado por corrupção e cumpriu 580 dias de prisão, antes de ser libertado por decisão do Supremo Tribunal que deliberou que um suspeito pode ser preso se o caso tiver mais possibilidade de recurso.

“Se existe um partido identificado com a democracia no Brasil é o PT. O PT nasceu a lutar pela liberdade durante a ditadura e tivemos gente perseguida e presa; não foi agora a primeira vez que estive preso, fui preso em 1970 e em 1980”, lembrou Lula da Silva.

Num longo discurso, que começou na sexta-feira e terminou já neste sábado, Lula da Silva lembrou que “há 40 anos que o PT disputa pacífica e legitimamente as eleições”, e quando perde aceita “os resultados fazendo oposição, como determinam as urnas”. “E quando vencemos governamos com diálogo social, participação popular e respeito pelas instituições”, disse.

Pelo contrário, continuou, “outros partidos que falam tanto de democracia mudaram as regras da reeleição em benefício próprio”, referindo-se aos acontecimentos de 1998, quando o Presidente Fernando Henriques Cardoso promoveu a possibilidade de um segundo mandato contínuo, como acabou por acontecer, e ao qual o PT se opôs.

O Partido dos Trabalhadores começou na sexta-feira o congresso nacional, impulsionado pelo regresso à vida política de Lula, com o objectivo de fortalecer a oposição ao Governo do Presidente Jair Bolsonaro.

O antigo líder sindical defendeu a “polarização” contra Bolsonaro, que “está a destruir” tudo o que o seu partido e as formações de esquerda “construíram”.