Torne-se perito

Criadores da Ovelha Choné preparam musical para a Netflix

Os estúdios Ardman vão estrear-se no musical de animação com Robin Robin, a história de um passarinho criado por ratos.

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É mais uma conversão à Netflix: os famosos estúdios de animação britânicos Aaardman, fundados por Peter Lord, aos quais devemos personagens como a Ovelha Choné ou Wallace & Gromit, vão interromper a longa relação que mantinham com a BBC para produzir para a Netflix aquele que será o seu primeiro musical de animação, avançou esta sexta-feira o jornal Guardian.

O filme deverá chamar-se Robin Robin e é protagonizado por uma cria de pisco-de-peito-ruivo cujo ovo rola acidentalmente do ninho e vai parar a uma lixeira. A pequena criatura que sai do ovo é então adoptada e criada por uma família de ratos, que se dedicam à ladroagem, mas apenas para suprir as suas necessidades.  

A ave vai crescendo a tentar comportar-se como um rato, e aprende mesmo a apreciar queijo, mas tem dificuldade em dominar a subtil arte de se esgueirar para o interior das casas, explicou ao Guardian o director dos estúdios Aardman, Sean Clarke. “É um pouco como se o Patinho Feio se encontrasse com Oliver Twist”.

Os estúdios Aardman foram fundados por Peter Lord e David Sproxton “numa mesa de cozinha em Bristol, há mais de quarenta anos”, escreve Dalya Alberge no Guardian, e Nick Park juntou-se-lhes em 1986, quando era ainda um estudante. A equipa conta hoje com cerca de 300 colaboradores e já recebeu mais de cem prémios, incluindo quatro óscares.

Os realizadores do filme, Daniel Ojari e Mikey Please, que co-escreveram o guião com Sam Morrison, explicam que o filme pretende celebrar a diferença e as coisas que fazem de nós aquilo que somos. “Criámos um mundo em que as criaturas da floresta se metem na sua vida e a diferença inspira cautelas”, descreve Mikey Please. Mas “Robin aprende que aquilo que a distingue pode resultar em seu benefício e no dos outros”.

Sarah Cox, directora executiva dos estúdiosdiz que esta produção com um orçamento de milhões de euros resultará num filme de 30 minutos, “cheio de canções cativantes, uma obra “clássica com uma sensibilidade moderna”.

O aspecto visual será muito diferente do habitual, com personagens que não serão feitas de plasticina – Robin terá um corpo de resina recoberto de feltro –, mas o conjunto, assegura Sarah Cox, dará uma “reconfortante sensação Aardman”.

A produtora diz que está a ser reunido “um elenco de sonho” para fazer as vozes e espera que as filmagens comecem no início do próximo ano, a tempo de ter o filme pronto para o Natal de 2020. “Só vi uma pequenina animação com um rato e quase chorei de emoção”, contou Sarah Cox ao Guardian.

Reconhecendo a ligação histórica à televisão pública inglesa, Sean Clarke diz que gostaria de voltar a trabalhar com a BBC, mas acrescenta que esta enfrenta actualmente constrangimentos orçamentais e não teria condições para financiar este filme.

Tanto os estúdios Aaardman como a Netflix já divulgaram o desejo comum de que este musical seja a primeira de muitas colaborações. “São bons parceiros, que respeitam a visão do realizador”, disse ainda Clarke. Já o responsável da Netflix para os conteúdos de produção própria destinados às crianças e às famílias, Alexi Wheeler, assume a intenção da produtora de internacionalizar este sector, que tem sido monopolizado pelas criações americanas, e diz que o projecto apresentado pelos estúdios ingleses foi “amor à primeira vista”.

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