Crítica

Portugal visto ao telefone

Estreia confidencial para um dos mais significativos documentários portugueses da temporada 2018/2019, um olhar sem complacências sobre o país que somos sem saírmos do call center do INEM.

2018 Doclisboa Film Festival
Foto
Uma câmara no centro do atendimento de Lisboa do INEM: Turno do Dia

Existe em Turno do Dia um bem-vindo contraponto à “velocidade” com que hoje em dia tudo parece passar por nós, mercê da voragem do conteúdo interminável das redes sociais e dos sites noticiosos. Estamos no centro de atendimento de Lisboa do INEM, onde os operadores de serviço ao 112 atendem e filtram os telefonemas que vão recebendo com emergências médicas, mas Pedro Florêncio instala a câmara face a um operador e não a mexe durante o tempo que for preciso para acompanharmos a chamada em curso; o espectador torna-se, em tempo real, parte de uma conversa entre alguém que precisa de ajuda e alguém que quer ajudar, dentro das limitações existentes. Turno do Dia é uma sequência de conversas, de “micro-dramas” que se resolvem numa ou duas chamadas e que, enquanto duram, são a coisa mais importante do mundo, mas que desaparecem assim que o próximo telefonema entra no sistema.