Acrobata português participa em festival de circo na China

Gonçalo Roque tem 30 anos e formou com a polaca Kinga Grzeskow os Duo Destiny. Agora, a dupla está a actuar no Festival Internacional de Circo da China, um dos “melhores” do mundo.

Duas vezes campeão europeu pela selecção portuguesa de ginástica acrobática, Gonçalo Roque participa esta semana num dos “melhores festivais” circenses do mundo. “Nós nunca pensamos fazer disto a nossa vida, mas neste momento fazemo-lo e andamos sempre a saltar de um lado para o outro”, conta à agência Lusa o português, de 30 anos, após uma actuação no Festival Internacional de Circo da China, que decorre esta semana em Hengqin, localidade também conhecida como ilha da Montanha.

Formado em Ciências do Desporto pela Faculdade de Motricidade Humana de Lisboa, Gonçalo desistiu de competir em 2013, para seguir carreira como treinador, mas um convite enviado pela polaca Kinga Grzeskow através da rede social Facebook, para participar num projecto em Maiorca, atirou-o de volta para os palcos. “Pensei que voltaria depois à minha vida normal em Portugal”, recorda, “mas a seguir participei em espectáculos em Hong Kong, Austrália ou Pequim e nunca mais parei”. De tal maneira, que o duo já conta com “contratos assinados para os próximos três anos”. “Temos as coisas controladas. Está a correr super bem”, conta.

O espectáculo de ginástica circense protagonizado pela dupla, chamada Duo Destiny, foi criado por ambos os protagonistas, e consiste em equilíbrio mão a mão — basicamente ginástica acrobática mas sem as regras daquele desporto, com interacção em diferentes posições ou transições. É Gonçalo que tem de suportar em força e resistência o peso de Kinga durante o espectáculo: “Ela tem de ter muita confiança em mim, em muitas situações fica em risco de cair de cabeça no chão”, descreve.

PÚBLICO -
Foto
Gonçalo Roque criou os Duo Destiny Com Kinga Gzrzeskow. DR

O Festival Internacional de Circo da China, que vai na sua sexta edição, reflecte os esforços das autoridades de Hengqin em impulsionar a indústria do entretenimento, visando diversificar a oferta de Macau, o centro de jogo mundial situado no outro lado do rio. A Zona Piloto de Comércio Livre de Hengqin, que pertence à cidade de Zhuhai, já está ligada à região semiautónoma da China por um posto fronteiriço aberto 24 horas por dia e um túnel de acesso ao novo campus da Universidade de Macau, cujo terreno foi cedido temporariamente por Zhuhai a Macau. “Desde o início que a nossa intenção e orientação é sobretudo promover um desenvolvimento diversificado das indústrias de Macau”, resume à agência Lusa o director do comité administrativo da Nova Área de Hengqin, Yang Chuan.

Gonçalo Roque revela que o evento circense que se realiza anualmente no local é um dos “melhores e mais bem pagos” espectáculos do género no mundo e uma porta de acesso para o emergente mercado de entretenimento do continente chinês. “Dizem que há muitas portas que se abrem aqui: muitos contratos e muitas propostas.”