Um estranho caso de amnésia colectiva: o Portugal vegetariano de há cem anos

Renegavam os “despojos cadavéricos” e preferiam as frutas cruas no prato. Tinham hotéis, restaurantes e mercearias, usavam “talheres naturistas” e “toilettes racionais”. Uma autêntica rede a servir um movimento vegetariano que um século depois é dado a conhecer numa exposição na Reitoria da Universidade do Porto.

Fotogaleria
Fotogaleria
Fotogaleria
DR
Fotogaleria
Fotogaleria
Fotogaleria
Fotogaleria
Fotogaleria

Na secção “Culinária vegetariana”, Maria da Câmara Reis Jardim deixa receitas – macarrão com hortaliça, omeleta de couve-flor, pureza de batata na água de bróculos – e um aviso: “A cozinha vegetariana, longe de ser uma cozinha muito simples, como a várias pessoas tenho ouvido dizer, é complicada, trabalhosa e imprópria para entregar a cozinheiras”. Páginas antes, Julieta Rodrigues escreve sobre o “Frutivorismo na família”, contando como conseguiu que o marido não se ressentisse da ausência da carne e do peixe, “sobretudo do bacalhau e da carne de porco”, com a preparação de “bons petiscos vegetarianos”, o que até foi “bem fácil” porque “é enorme a variedade de iguarias que se podem preparar com os legumes e os tubérculos”, mas alerta: sendo “considerado o vegetarianismo como ponte de transição para o frugivorismo”, esta travessia “não deve ser demasiado vagarosa, pois sendo esse regime já muito mais benéfico do que o omnívoro, não convém nele se permanecer indefinidamente porque também tem inconvenientes”.