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Quarenta anos de Oceanos, de Cândido Lima, celebrados na Casa das Artes

Auditório portuense acolhe concerto que assinala também o 80.º aniversário do compositor nascido em Viana, com a participação da também compositora Ângela Lopes.

Cândido Lima
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Cândido Lima DR

Um duplo aniversário redondo vai ser assinalado, esta quarta-feira, na Casa das Artes, no Porto: os 80 anos de Cândido Lima (n. Viana do Castelo, 1939) e os 40 anos da estreia da sua obra Oceanos (1978-79), primeira peça da música portuguesa composta para meios informáticos e electroacústicos. A iniciativa parte da galeria de arte portuense Sismógrafo, e tem organização de Susana Camanho e Emídio Agra, associados à Casa das Artes.

Por sugestão do próprio Cândido Lima, a sessão irá também contar com a participação da compositora Ângela Lopes (n. Ovar, 1972), que na sua carreira colaborou com o grupo Música Nova, dirigido pelo compositor vianense, e tem também desenvolvido uma obra no domínio da música electroacústica.

No programa do concerto que irá decorrer nos dois palcos da Casa das Artes, além da revisitação de Oceanos, serão interpretadas outras criações de ambos os compositores.

Oceanos, composta em 1978-79, foi uma obra pioneira no recurso à informática musical, e teve estreia no Teatro Rivoli, numa versão que compreendia a utilização da orquestra. Trata-se de uma peça de culto que atingiu os mais diversos públicos, e foi republicada em LP, na sua versão puramente acusmática, pela Grama (Grama001), em 2016, inaugurando assim aquela etiqueta discográfica. No programa da obra, Cândido Lima refere-se-lhe como uma “nova viagem imaginária ao fundo do tempo/a mares desconhecidos/ a mares interplanetários/ a oceanos intergalácticos/ ao fundo da alma e a mares longínquos”.

O compositor dedicou Oceanos a Iannis Xenakis (1922-2001), o compositor grego com quem estudou em Paris, na Universidade Panthéon-Sorbonne, onde se doutorou em Estética. “Uma das coisas que me marcaram e entusiasmaram sempre, em Xenakis, foi a sensação de que algumas obras nasciam desordenadas”, mas “iam encontrando a sua ordem” e talvez tenha sido esse factor que “marcou as minhas obras, sobretudo as dos anos de 70”, disse o compositor numa entrevista publicada pelo Centro de Investigação da Música Portuguesa.