Fundação Champalimaud cria prémio de um milhão de euros para investigação do cancro

Este prémio anual será atribuído a uma única entidade já a partir de 2020. Esta segunda-feira, a Rainha Sofia de Espanha participa, pela primeira vez, na reunião do conselho de curadores da fundação.

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Da esquerda para a direita, Rainha Sofia de Espanha, Leonor Beleza e o casal Mauricio e Charlotte Botton Daniel Rocha
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Rainha Sofia e Leonor Beleza Daniel Rocha
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Da esquerda para a direita, António Damásio, Fernando Henrique Cardoso, Rainha Sofia e Daniel Proença de Carvalho Daniel Rocha

A Fundação Champalimaud, juntamente com o casal Mauricio e Charlotte Botton, criou um prémio de um milhão de euros para reconhecer “trabalhos de investigação básica e clínica inovadores e com grande impacto no controlo e cura do cancro”, anunciou esta segunda-feira a fundação em comunicado. Este Prémio Botton-Champalimaud do Cancro vai ser atribuído anualmente a partir de 2020.

Outra das novidades é a participação da Rainha Sofia de Espanha, pela primeira vez, na reunião do conselho de curadores da Fundação Champalimaud desta segunda-feira. Fazem parte deste conselho Daniel Proença de Carvalho (presidente), Aníbal Cavaco Silva, Fernando Henrique Cardoso, António Damásio, António Coutinho, António Travassos, João Raposo Magalhães e Pedro D'Abreu Loureiro. De acordo com o site da fundação, os membros deste conselho estão “encarregues da tarefa de determinar a orientação do desenvolvimento em curso da fundação”.

A Fundação Champalimaud e a Fundação Rainha Sofia têm vindo a desenvolver uma colaboração em torno de doenças neurodegenerativas humanas como a doença de Alzheimer.

PÚBLICO -
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Da esquerda para a direita, António Damásio, Fernando Henrique Cardoso, Rainha Sofia e Daniel Proença de Carvalho na reunião do Conselho de Curadores Daniel Rocha

Além da Rainha Sofia, participaram na reunião desta segunda-feira António Damásio, Pedro D'Abreu Loureiro, Fernando Henrique Cardoso, Daniel Proença de Carvalho, Aníbal Cavaco Silva, António Coutinho, António Travassos, Leonor Beleza (presidente da fundação), João Silveira Botelho (vice-presidente) e, via Skype, António Horta Osório (administrador não-executivo). Embora não façam parte do conselho de curadores, Mauricio e Charlotte Botton também assistiram à reunião.

Para anunciar o Prémio Botton-Champalimaud do Cancro numa conferência de imprensa esta segunda-feira, Leonor Beleza teve a seu lado não só a Rainha Sofia como o casal Mauricio e Charlotte Botton.

“Trata-se de um projecto todo feito em conjunto por um casal que é espanhol e uma fundação que é portuguesa. Há aqui uma cooperação extremamente interessante entre portugueses e espanhóis”, disse a presidente da Fundação Champalimaud sobre a parceria. “É um prémio que vai ser criado no âmbito do cancro com o objectivo de desenvolver novas formas de compreender o que é o cancro e de conseguir tratá-lo.”   

De acordo com o comunicado, esta distinção pretende incentivar novos caminhos de investigação e prática clínica que possam contribuir para a erradicação do cancro e não apenas consagrar já trabalho efectuado. Desta forma, o Prémio Botton-Champalimaud do Cancro será totalmente atribuído a uma única entidade.

Como forma de contextualizar a criação deste prémio, no comunicado refere-se que há já mais de um século que o cancro preenche as nossas mentes e medos. “Apesar do crescente conhecimento sobre biologia da doença e dos avanços na prevenção, no diagnóstico e na terapia, as mortes por cancro continuam a aumentar na maioria dos países”, lê-se.

Este prémio pretende assim incentivar os “que lutam contra o cancro” e atribuir fundos adicionais para se continuar a investigar novos tratamentos. “Foram muitas as instituições e filantropos que criaram prémios para reconhecer o trabalho de excelência na luta contra esta doença, mas nunca nenhum montante tão significativo foi especificamente atribuído ao esforço para efectivamente tratar e curar o cancro”, assinala-se. “O Prémio Botton-Champalimaud do Cancro vai ser o primeiro prémio deste género que não fará distinções entre a ciência básica e o trabalho clínico.” Adianta-se ainda que esta distinção tem o objectivo de distinguir a investigação que tem um impacto directo na melhoria do diagnóstico e do tratamento dos doentes oncológicos.

Esta distinção surge então da parceria entre a Fundação Champalimaud e o casal Mauricio Botton Carasso e Charlotte Botton. Originária da Salónica (na Grécia), esta família instalou-se em Barcelona durante a Primeira Guerra Mundial. Aí, o avô de Mauricio Botton Carasso – Isaac Carasso – fundou a empresa Danone.

Em Setembro de 2018, também foi anunciado um futuro centro de investigação e tratamento só dedicado ao cancro do pâncreas, o Centro Pancreático Botton-Champalimaud, que também resulta da união da Fundação Champalimaud e de Mauricio e Charlotte Botton. O casal contribuiu com cerca de 50 milhões de euros para a sua construção.

Aliás, Leonor Beleza começou por salientar a necessidade da criação deste centro na conferência de imprensa: “Como se sabe [o cancro do pâncreas] é dos cancros mais ameaçadores para todos nós. Todos receamos aquela doença que não sabemos nem detectar a tempo nem tratar como ela necessita”, disse. “Por ser um desafio tão difícil, decidimos que construiremos em conjunto uma unidade exclusivamente para esse fim.” Indicou ainda que essa unidade, que está a ser construída ao lado da Fundação Champalimaud, “estará pronta no fim do ano que vem e vai ser inaugurada a 5 de Outubro de 2020”.

Em 2006, a Fundação Champalimaud também tinha lançado o Prémio António Champalimaud de Visão, que tem o apoio do programa “2020 – O Direito à Visão” da Organização Mundial da Saúde. No valor de um milhão de euros, este prémio é considerado o maior do mundo na área da visão. Nos anos ímpar, esta distinção é atribuída ao trabalho desenvolvido no terreno por instituições na prevenção e no combate à cegueira e doenças da visão. Já nos anos par, reconhece investigações científicas de grande alcance na área da visão.