Uma exposição sobre tudo o que vem parar ao prato, da religião aos ditados

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Esta é uma exposição que alimenta com "passagens bíblicas, crenças e rituais, quadras e ditados". "Tudo aquilo que nos veio parar ao prato, sem origem certa, mas que comemos sem pestanejar." Em Nem só de pão vive o Homem, Rosário Pinheiro pensa na gastronomia enquanto história do ser humano, "da sua evolução e da sua espiritualidade", refere, num email ao P3, a Quinta da Cruz, em Viseu, que por estes dias acolhe os trabalhos da ilustradora.

"Bem-aventurados vós, os que tendes sede, pois serão saciados", lê-se à entrada. Já dentro da sala, caminha-se por episódios bíblicos e conhece-se um povo através de ditados como "dá Deus nozes a quem não tem dentes". "O crescente apetite do homem obrigou a religião a inventar o pecado da gula, e os jejuns sagrados obrigaram os cozinheiros a criar pratos purificados e assim se desenrola uma dança", escreve a designer e ilustradora viseense nascida em 1988. "As comidas, os ritos e os costumes religiosos são características intangíveis de um povo, fazem parte da sua cultura. A alimentação é um acto sagrado, que ultrapassa largamente a necessidade de sobrevivência: à mesa fazem-se fundações de cidades, declarações de guerra, tratados de paz, celebrações, negócios e casamentos."

A Quinta da Cruz – Centro de Arte Contemporânea lançou o desafio de ilustrar o tema "Viseu – Destino de Gastronomia" a Leslie Wang e a três artistas portuguesas: Inês Flor, Carolina Maria e, agora, Rosário Pinheiro. Enquanto uma ala do espaço recebe A journey through taste, exposição de artista taiwanesa, a outra ala alberga rotativamente o trabalho das artistas portuguesas, até 26 de Novembro.

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