Escolas com amianto: ministro recusa divulgar quantas são

Em entrevista à agência Lusa, o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, confirmou que ainda há estabelecimentos de ensino com estruturas de fibras de amianto incorporado, mas não adiantou quantos. Em Janeiro, eram 192

Tiago Brandão Rodrigues
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LUSA/MIGUEL A. LOPES

O Ministério da Educação removeu “muitos milhares de metros quadrados de placas com amianto” das escolas nos últimos quatro anos, mas o ministro reconhece que ainda há trabalho a fazer.

Em entrevista à agência Lusa, o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, confirmou que ainda há estabelecimentos de ensino com estruturas de fibras de amianto incorporado, mas não adiantou quantos.

Das 192 escolas com amianto identificadas, o Ministério da Educação garantia em Janeiro haver 42 em que as obras ainda não haviam começaram, apesar de a remoção dos materiais com amianto ser encarada como “uma prioridade”. 

Durante o mês passado, uma dezena de estabelecimentos de ensino encerrou e foram feitos muitos protestos por professores, alunos e encarregados de educação para chamar a atenção para o problema da exposição a estas fibras que podem provocar doenças como cancro do pulmão ou gastrointestinal.

Os protestos foram o resultado de uma acção do Sindicato de Todos os Professores (STOP), que estima existirem mais de cem estabelecimentos de ensino em situação crítica.

Sindicatos e também associações de pais e ambientalistas, como a Zero ou o “Movimento Escolas Sem Amianto”, têm criticado o facto de não ser conhecida uma lista oficial com o número de estabelecimentos com amianto, nem um calendário de obras.

O ministro também não respondeu à Lusa sobre quantas escolas ainda têm amianto, referindo, no entanto, que há “muitas placas de fibrocimento com amianto que estão absolutamente protegidas” e que a sua remoção “aumenta exponencialmente a perigosidade”.

Para o coordenador do “Movimento Escolas Sem Amianto” (MESA), André Julião, não retirar agora o amianto é “empurrar o problema com a barriga”, uma vez que mais tarde as estruturas vão acabar por se danificar.

“O alarmismo social é a pior coisa que se pode fazer, porque estamos a falar de uma comunidade educativa. As nossas escolas são, em termos genéricos, lugares muito seguros”, garantiu o ministro.

Tiago Brandão Rodrigues afirmou que existe um plano de intervenção que veio estabelecer prioridades e, por isso, a remoção não é feita “à mesma velocidade e com a mesma prioridade em todos os sítios”.

“Nós fizemos a remoção de muitos milhares de metros quadrados de placas com amianto ao longo destes quatro anos. É um trabalho invisível, do qual não damos conta”, sublinhou, recordando o trabalho feito no seu anterior mandato, já com a pasta da educação.

Questionado se podia garantir que quem está diariamente nas escolas está em segurança, o ministro afirmou: “O que posso dizer é que os serviços do Ministério da Educação têm aferido a perigosidade da exposição a materiais que contenha amianto ao longo dos tempos e tem definido prioridades nas intervenções. É isso que temos feito, com responsabilidade”.

Os trabalhos de remoção realizados até agora foram “feitos em segurança”, sem o perigo de alunos, professores e funcionários poderem vir a inalar as fibras libertadas para o ar.

Tiago Brandão Rodrigues observou que o seu Ministério tem trabalhado com o Ministério do Ambiente e com as autarquias, que têm a seu cargo a gestão do pré-escolar e 1.º ciclo. “Tem sido dado nota de um conjunto de autarquias que têm estado a fazer esse trabalho e é importante continuar a fazê-lo”, comentou.

À Lusa, o coordenador do MESA lembrou que pais, alunos e trabalhadores das escolas ficariam mais descansados se conhecessem uma calendarização de obras nos diferentes estabelecimentos de ensino.

Questionado sobre a conclusão do plano de remoção, o ministro também não avançou à Lusa qualquer data, mas deixou a promessa de “trabalhar para que esta questão do amianto seja uma questão do passado”.