Nova espécie de ave com 120 milhões de anos era do tamanho de um pombo

Tinha umas características parecidas com as da Archaeopteryx e outras semelhantes a aves modernas.

Fotogaleria
Reconstituição da ave Fukuipteryx prima Masanori Yoshida
Fotogaleria
Reconstituição da ave Fukuipteryx prima Masanori Yoshida

Há 120 milhões de anos, nas terras do actual Japão, podia já encontrar-se uma ave do tamanho de um pombo. Rodeada de vegetação, esta ave vivia lado a lado com dinossauros e répteis num ambiente quente e húmido com pequenos períodos mais secos. De seu nome Fukuipteryx prima, esta espécie é descrita pela primeira na revista científica Communications Biology nesta quinta-feira.

A história das primeiras aves tem muito que se lhe diga. Descoberta na actual Alemanha, a Archaeopteryx é, geralmente, considerada a primeira ave que se conhece. Contudo, isso tem sido motivo de discussão. Viveu no final do Jurássico, entre há 160 e 140 milhões de anos, mas ainda não tinha características associadas às aves actuais. Essas características só começaram a surgir durante o período Cretácico (entre há 145 e 66 milhões de anos).

Até agora, os fósseis mais antigos de aves que se conhecem pertencem à biota de Jehol, um conjunto de organismos vivos de formações geológicas no Nordeste da China do início do Cretácico. Mas, como notam os cientistas num resumo sobre o trabalho, estas aves ainda não tinham o pigóstilo, extremidade da coluna vertebral onde se inserem as penas da cauda e que é uma característica fundamental das aves modernas.

As novidades sobre esse passado vêm agora do Japão. Em 2013, foi descoberto na província de Fukui um conjunto de ossos que, pouco tempo depois, foi logo associado a um fóssil de uma ave do início do Cretácico. “No sítio, um colega de trabalho encontrou alguns ossos, que foram levados para o laboratório. Depois de fazermos toda a sua preparação, percebemos que era um esqueleto de uma ave”, conta ao PÚBLICO Takuya Imai, do Instituto de Investigação de Dinossauros da Universidade Prefeitural de Fukui (no Japão) e principal autor do artigo.

Agora foi então baptizado como Fukuipteryx prima. Desmontando o nome: Fukui refere-se à província onde foi encontrado; pteryx significa “asa” em latim; e prima refere-se a “primitiva” em latim, isto porque a espécie tem muitas características morfológicas primitivas das aves.

A Fukuipteryx prima é assim a primeira espécie de ave primitiva deste período descoberta fora da China, referem os cientistas. Mas como era? Era do tamanho de um pombo. Tinha características em comum com a Archaeopteryx, como uma fúrcula robusta (osso em forma de forquilha que resulta da fusão das clavículas), a pélvis não estava fundida e possuía patas dianteiras.

Mas, ao contrário da Archaeopteryx, a Fukuipteryx prima tinha um pigóstilo totalmente formado. E Takuya Imai acrescenta: “Tinha um pigóstilo com resquícios de espinhos nas vértebras [que anfíbios e amniotas têm] e uma estrutura em forma de remo na extremidade distal.”

Aliás, o pigóstilo é outro dos protagonistas desta história. Se investigações anteriores sugeriam que esta extremidade era uma das adaptações-chave na evolução inicial das aves, neste trabalho os cientistas propõem que a sua presença é um subproduto da diminuição de tamanho da cauda e que não está ligado à adaptação do voo, como até já se tinha apontado noutros estudos. “Encontrámos esta estrutura em dinossauros terópodes que não precisaram de se adaptar ao voo, tendo-se desenvolvido pelo menos duas vezes durante a evolução das aves”, indica Takuya Imai.

Uma das questões que fica, por agora, em aberto é: será que a Fukuipteryx prima abanava a cauda? “Os dinossauros não-avianos com longas caudas faziam-no de certeza e algumas aves modernas também o fazem para atrair os seus parceiros”, responde o cientista. “Não há nenhuma razão para dizer que a Fukuipteryx não o fazia.”