Opinião

A força

falar para o PSD e falar para o País – sobretudo para o País – revela, da parte de Luís Montenegro uma visão sistémica.

Inicio por uma dupla declaração de interesses: há muito que me despedi, publicamente, de cargos políticos institucionais - sou e sempre fui uma advogada, por vezes emprestada à política - e, sim, sou apoiante da candidatura do Luís Montenegro à liderança do PSD. Já o fui no passado recente, continuo a sê-lo no presente. E cada vez tenho mais razões para esse apoio.

No discurso de apresentação da sua candidatura, este ficou marcado por uma mensagem para dentro do PSD, mas, sobretudo, por uma mensagem para o País. Existiu uma linha de pensamento que me agradou, designadamente no que toca ao PSD: a defesa da liberdade interna - que hoje não existe -mas sobretudo a defesa da liberdade externa e a recusa dos discursos de ódio.

Luís Montenegro prometeu que o PSD “vai voltar a ser o que sempre foi”, abrangente. A crítica que lançou à actual direcção foi muito certeira sobre a forma como, actualmente, quem pensa pela sua própria cabeça é dispensado e, eu acrescentaria, até convidado a sair do partido ou a não comparecer na campanha para as eleições legislativas.

Foi para mim gratificante ouvir Luís Montenegro falar da situação interna do PSD, sem rodeios, mas sobretudo do actual Governo, da Europa e da situação mundial.

Em tão breve tempo delineou-se o pensamento integrado do candidato.

Quanto à forma como encara divergências internas, sou testemunha primeira do seu espírito agregador, da forma afável e amiga como tratava todos os colaboradores. Era o presidente do grupo parlamentar, mas era sobretudo o Luís, a quem todos podiam recorrer. Para mim, as questões de carácter são muito importantes, sobretudo quando, ao contrário de tantos, se trata com igualdade quem quer que exerça as funções que exercer.

Luís Montenegro, quando quebrei a disciplina de voto, fez o que tinha a fazer e encarei um processo disciplinar. Mas ele foi também a minha primeira testemunha, reconhecendo que esse sempre tinha sido o meu pensamento sobre a matéria, matéria essa de consciência.

Regressem os tempos de liberdade dentro do PSD.

Por outro lado, Luís Montenegro não renegou um passado que nos honra: a recuperação do País que o PS deixou em bancarrota e que, pese todos os sacrifícios, levou Pedro Passos Coelho a ganhar as eleições em 2015.

Mas quantos se lembram de que o país foi à bancarrota pela mão de um Governo PS ou que o memorando com a troika foi assinado por aquele partido? Quantos se lembram que quando não há pão para todos, ele tem de ser racionado e os sacrifícios partilhados?

Luís Montenegro não deixou de sublinhar que o actual Governo viveu da herança de Passos e que rapidamente a desbaratou. Foi certeiro nos erros apontados à actual governação, à tremenda carga fiscal e à miserável situação dos serviços públicos.

Na verdade, e olhando para a posição do Governo, este mais parece, como na fábula, a rã que queria ser boi e acabou a rebentar.

Por outro lado, Luís Montenegro foi muito concreto nas propostas primeiras a apresentar: do direito de todos aos serviços públicos, à diminuição da carga fiscal que nos asfixia.

Volto a sublinhar que falar para o PSD e falar para o País – sobretudo para o País – revela uma visão sistémica.

Aliás, o próprio site de campanha refere sobretudo o País e é elucidativo: sublinha a igualdade de oportunidades e a contribuição a que apela, de todos, para uma sociedade melhor.

Resta-lhe cumprir o seu caderno de encargos: tornou-se o seu compromisso. É certo que não há sociedades perfeitas. Nem uma única. Todavia, é nosso imperativo tentar melhorá-las. E sim, a força tem de vir de dentro, de dentro de cada um e de todos nós.