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Jair Bolsonaro deixa o PSL e cria novo partido, a Aliança pelo Brasil

As divergências duravam há meses e eram públicas. O nome da nova formação tem ressonâncias na ARENA, que sustentou a ditadura militar.

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O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro ADRIANO MACHADO/Reuters

O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, anunciou na terça-feira à noite que vai deixar o PSL (Partido Social Liberal) e criar a sua própria formação política, a Aliança pelo Brasil. O nome tem ressonância na Aliança Renovadora Nacional (ARENA), que existiu entre 1965 e 1979 e sustentou a ditadura militar.

De acordo com o jornal O Globo, prevê-se que cerca de 30 dos 53 deputados do PSL – partido que acolheu Bolsonaro a poucos meses das eleições do ano passado –​ ​se juntem à Aliança em 2020, depois de passar o período legal que lhes permite manter o mandato.

Como esperado, o primeiro deputado a anunciar a sua saída do PSL foi o senador Flávio Bolsonaro, um dos filhos do Presidente.

A cisão surge depois de meses de conflitos internos, alguns assumidos publicamente. Jair Bolsonaro disse recentemente que o líder do PSL, Luciano Bivar, está “queimado” –​ está a ser investigado por suspeita de ter havido candidaturas falsas (de mulheres que depois desistiriam) na campanha de 2018, um caso conhecido como “Laranjal do PSL”.

O objectivo é atrair também deputados de outros partidos, sobretudo do DEM, PL, PSDB e PRB. 

Os apoiantes de Bolsonaro estão a trabalhar para recolher as 500 mil assinaturas necessárias para registar o novo partido, com o objectivo de estar criado até Março de 2020, para se candidatar às municipais desse ano, diz o El País Brasil.

O primeiro congresso da Aliança pelo Brasil está marcado para dia 21 de Novembro. “Esperamos que o Presidente Bolsonaro também seja o presidente do partido, mas ele não disse se quer ou não”, disse a deputada federal Beatriz Kicis, que deixou o PSL para se juntar à nova formação ultra-conservadora.

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