Opinião

Cartas ao director

Wall Summit

Fiquei perplexo mas não surpreendido com o artigo de opinião no PÚBLICO de 08/11/19 do presidente do grupo parlamentar do BE, Pedro Soares, intitulado “Web Somítico”, no qual afirma: “Não é possível escapar — jornais, televisões, rádios, todos se rendem ao frenesim que transforma o empreendedorismo em religião e o Parque das Nações na Meca da tecnologia…” E prossegue: “Espetáculo de luz, cor e animação, é construído num mar de voluntários. O que o empreendedorismo adora mesmo, pelos vistos, é não pagar salários…” (...) Pedro Soares só se refere à exploração do trabalho gratuito dos voluntários e às t-shirts destes. Provavelmente o “Muro de Berlim” ainda resiste nesta visão tão limitada e retrógrada da extrema- -esquerda, totalmente avessa ao empreendedorismo, pois não faz uma única crítica ao conteúdo dos diversos oradores presentes na Web Summit, provavelmente ignorou-os. Oradores que tiveram a possibilidade de se expressar livremente e que nos alertaram para os benefícios, perigos, desafios das novas tecnologias e da inteligência artificial (...) desde o dissidente Edward Snowden a Tim Berners-Lee, o pai da Internet (...) Já agora, não era o BE que no seu programa propunha direito de voto aos jovens a partir dos 16 anos? Para lhes ensinar o quê?

Fernando Ribeiro, São João da Madeira

Frei Bento — doutor

A Universidade do Minho agraciou com o título de doutor Honoris Causa frei Bento Domingues. Na crónica do PÚBLICO do dia 10 deste mês de Novembro, frei Bento enaltece a canonização de D. Frei Bartolomeu dos Mártires discorrendo sobre a sua vida e obra. Conheci frei Bento quando era ainda uma criança (...), acompanhei-o nas suas lutas por uma Igreja ao serviço da justiça e da igualdade, nesse tempo da ditadura. Algumas vezes, mais perto, outras, através das suas crónicas semanais no PÚBLICO, nunca deixei de admirar e acompanhar a sua postura digna e humilde, a sua grande sabedoria, a sua coragem e o seu enorme coração. Como minhoto que é, fiel às suas raízes, não havia melhor sítio do que Braga e a sua universidade para o homenagear. Feliz coincidência a de ter ocorrido no ano em que foi canonizado esse grande homem, arcebispo de Braga, que deixou uma marca indelével na história da cidade e da Igreja Católica, D. Frei Bartolomeu dos Mártires. Não posso deixar de me lembrar deste vulto da Igreja, quando penso no carácter e na humanidade de frei Bento. Este homem da Igreja, já conhecido na Europa católica pela sua autoridade moral, foi disfarçado para o Concílio de Trento, para que ninguém lhe concedesse honras e escandalizou todos, apelando aos valores cristãos da pobreza, da humildade e da solidariedade, no meio do fausto da Igreja da altura; como arcebispo de Braga vivia na frugalidade e na entrega aos outros (ficou celebre a sua posição de não fugir aquando da terrível peste que assolou Braga) e baniu do Paço Arquiepiscopal todos os esplendores vigentes. Braga nunca lhe fez uma homenagem digna! Fez, este ano, ao frei Bento seu sucessor em muitos aspetos da forma de ser e viver a “Igreja” (...)

José Carlos Palha, Gaia