Evo Morales exila-se no México e promete regressar à Bolívia “com mais força”

Assembleia Legislativa ainda não encontrou solução para preencher o vazio de poder que a demissão do Presidente, de grande parte do governo e de muitos legisladores. Polícia e militares organizam-se para pôr fim à destruição nas ruas.

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O chefe da diplomacia mexicana, Marcelo Ebrard, a receber morales no aeroporto,O chefe da diplomacia mexicana, Marcelo Ebrard, a receber morales no aeroporto EPA,EPA
Presidente da Bolívia
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Evo Morales publicou uma fotografia da sua primeira após a demissão Twitter
Evo Morales dentro do avião da Força Aérea mexicana
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Evo Morales dentro do avião da Força Aérea mexicana Reuters
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EDGARD GARRIDO/Reuters

O ex-Presidente da Bolívia Evo Morales chegou esta terça-feira ao México, país que lhe oferecera asilo político. Prometeu regressar “com mais força e energia”.

“Irmãs e irmãos, parto para o México, agradecido pela abertura do Governo deste povo irmão que nos deu asilo. Magoa-me abandonar o país por razões políticas, mas estarei sempre vigilante”, escreveu Morales no Twitter. “Em breve voltarei com mais força e energia”.

Evo Morales, cujo terceiro mandato terminaria em Janeiro, renunciou ao cargo no domingo, depois de quase 14 anos no poder e na sequência de semanas de protestos violentos no país que eclodiram com as eleições presidenciais de 20 de Outubro. Morales foi declarado vencedor, mas as acusações de manipulação do resultado levaram milhares de pessoas para as ruas. Os protestos tornaram-se violentos, com confrontos com a polícia e entre grupos de apoiantes e não apoiantes do Presidente.

Morales, que no domingo anunciou estar disposto a repetir as eleições, demitiu-se quando os chefes das Forças Armadas e da polícia exigiram que deixasse o cargo. Na comunicação de demissão, Evo Morales justificou a decisão com a necessidade de a “paz social” regressar à Bolívia. Depois, Morales classificou como “golpe” o movimento que o levou a demitir-se.

“Forças obscuras destruíram a democracia”, disse, citado pelo jornal La Razón. “A luta não acaba aqui. Os humildes, os pobres, os sectores sociais, vamos continuar esta luta pela igualdade e a paz”.

Com Morales, demitiram-se grande parte do seu governo e dos deputados que o apoiavam. Na segunda-feira, o chefe da diplomacia mexicana, Marcelo Ebrard, confirmou que o país recebeu 20 personalidades do Governo e do parlamento bolivianos na sua embaixada em La Paz, “em conformidade com a sua tradição de asilo e de não-intervenção”.

A mais recente demissão é a do ministro da Defesa, Javier Eduardo López. Foi o 13.º membro do Governo a resignar.

O órgão legislativo, que recebeu a carta de demissão de Morales na segunda-feira, deu início aos trabalhos para designar um Presidente temporário, uma vez que as demissões quebraram a linha de sucessão determinada pela Constituição – demitiram-se o vice-presidente, Álvaro García, e os presidentes da Câmara de Deputados e do Senado. A senadora Jeanine Añez, vice-presidente do Senado e membro da oposição, pode assumir a presidência, ou pode ser designado um conselho de gestão até se realizarem novas eleições.

“Queremos a pacificação do país de forma constitucional, por isso vou para já assumir a presidência do Senado”, disse Añez. “Queremos trabalhar e fazer as coisas como o povo boliviano quer, por isso seremos uma transição.”

As Forças Armadas e a polícia anunciaram que começaram uma acção conjunta nas ruas para pôr fim à violência das últimas noites, em que houve saques, destruição de propriedades e incêndios em La Paz, a capital, e noutras cidades.

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