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Uma casa a afundar no rio Tamisa, para mostrar como é a subida do nível do mar

Os activistas do Extinction Rebellion criaram uma estrutura com o formato de casa e puseram-na a navegar no rio Tamisa. A ideia era alertar “para a inacção do Governo em relação à crise climática” e para o aumento do nível do mar.

Quem passou, este domingo, 10 de Novembro, junto à Tower Bridge, em Londres, e olhou para o rio Tamisa, viu uma “casa” a inundar-se. A casa não era, de facto, uma casa, mas sim uma estrutura com a forma de uma — e foi criada pelo grupo de activistas pelo clima Extinction Rebellion. Andava à deriva no rio para alertar “para a inacção do Governo em relação à crise climática e chamar a atenção para a ameaça que os humanos enfrentam devido à crise climática e o aumento do nível do mar”.

“Como as cheias que estão a acontecer em Derbyshire e Yorkshire têm demonstrado, as nossas casas, negócios e famílias estão em risco”, escreveram os activistas, em comunicado, no site. A Inglaterra tem vivido um período de cheias intensas, que já provocaram a morte de uma pessoa: “Estamos a ver, em tempo real, as vidas das pessoas a serem destruídas à volta do mundo e no Reino Unido. Enquanto não forem tomadas medidas para travar a perda de biodiversidade e reduzir as emissões de carbono para zero, estas tragédias vão continuar a acontecer.”

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Os cientistas prevêem que, até 2100, os níveis do mar aumentem entre um e cinco metros. “O Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas sugere uma subida de menos de dois metros, mas estudos passados têm quase sempre menosprezado o ritmo das alterações climáticas”, avisam os activistas do Extinction Rebellion. E exemplificam: “O degelo na Gronelândia não se previa até 2070” — mas em Junho deste ano atingiu uma velocidade recorde. 

As ameaças que a crise climática acarreta foram também sublinhadas num estudo feito pela Climate Central, em Outubro último, que os activistas referem no mesmo comunicado. De acordo com a organização científica americana, 300 milhões de pessoas estão em risco ser afectadas por inundações costeiras até 2050. O mesmo estudo mostra que uma grande parte de Londres e zonas costeiras da Grã-Bretanha estão entre as principais áreas de risco, a menos que sejam construídas barreiras de protecção. “Ainda que o nosso Governo negue, isto é um desastre nacional, que se aproxima cada vez mais da capital”, apontam os activistas.