Fotobiografia de Jorge de Sena vai ser lançada pela editora Guerra e Paz

Isabel de Sena, a filha mais velha de Jorge de Sena, está a ultimar duas novas edições para a Guerra e Paz: uma fotobiografia do pai e um volume com a correspondência que este travou com o escritor e oposicionista João Sarmento Pimentel.

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Neste final do ano do centenário do nascimento de Jorge de Sena (1919-1978), a editora Guerra e Paz anunciou esta segunda-feira mais dois lançamentos editoriais senianos, ambos organizados pela filha mais velha do escritor, Isabel de Sena: uma fotobiografia do autor e mais um volume da sua extensa correspondência, este dedicado ao diálogo epistolar com o capitão João Sarmento Pimentel (1888-1987), uma das principais figuras do círculo de anti-salazaristas portugueses exilados no Brasil.

Professora de espanhol e de literatura hispano-americana em Nova Iorque, Isabel de Sena contou em ambos os projectos com a colaboração do arquitecto e historiador de arte brasileiro Rui Moreira Leite, a quem se deve a organização de várias correspondências entre intelectuais portugueses e brasileiros, incluindo a que o seu pai, o psicólogo social e escritor Dante Moreira Leite, trocou com Jorge de Sena. 

Ao contrário da gigantesca bibliografia de Jorge de Sena, que já justificou a publicação de um volume só com os índices da sua poesia (Cotovia, 1990) e ainda o livro Uma Bibliografia Cronológica de Jorge de Sena (Imprensa Nacional/Casa da Moeda, 1995), organizado por Mécia de Sena, Jorge Fazenda Lourenço e Frederick G. Williams, a biografia do autor de Metamorfoses ou de Sinais de Fogo está ainda por fazer. A fotobiografia agora anunciada pela Guerra e Paz, para a qual se prometem, quer ao nível dos textos, quer no plano das imagens, “recursos inéditos”, constitui-se assim como um primeiro passo para atenuar essa falha.

Já o também previsto lançamento da Correspondência com o capitão Sarmento Pimentel não só interessará aos leitores e estudiosos de Jorge de Sena, mas abre também, sublinha a Guerra e Paz – que já publicou as importantes correspondências de Sena com Sophia de Mello Breyner Andresen e Eugénio de Andrade – “outra perspectiva da actividade política de contestação a Salazar e à sua ditadura, neste caso a que se desenrolou no Brasil, particularmente no período entre o final dos anos 50 e o princípio da ditadura militar [brasileira] em 1964”. Um período que coincide em parte com o da permanência do próprio Jorge de Sena no Brasil, entre 1959 e 1965. 

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