Crónica de jogo

Pizzi foi a melhor arma do Benfica contra a mediocridade

Um golo e uma assistência do médio no triunfo com reviravolta dos “encarnados” nos Açores. Liderança ficou segura por mais uma jornada, mas a exibição voltou a não ser brilhante.

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Vinicius marcou o primeiro golo do Benfica em São Miguel LUSA/EDUARDO COSTA
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A liderança está segura por mais uma jornada e o objectivo mínimo está cumprido. Mas este continua a não ser o Benfica que foi campeão com a autoridade dos golos e das boas exibições. Este Benfica — que, para todos os efeitos, conquistou 30 pontos em 33 possíveis — vai-se mantendo no topo graças a um homem chamado Luís Miguel Afonso Fernandes, conhecido no mundo do futebol como Pizzi, que marcou e assistiu no triunfo “encarnado” sobre o Santa Clara, por 1-2. Pizzi foi o melhor antídoto para uma primeira parte medíocre do Benfica, sem qualquer ideia brilhante para contrariar o seu adversário açoriano, que foi superior durante mais de metade do jogo.

Não havendo goleadores de épocas passadas, como João Félix e Jonas, e com Seferovic mais ou menos desaparecido em combate, tem sido Pizzi a alimentar as vitórias com golos. Em São Miguel, marcou o seu 13.º da época e ficou a dois do  melhor registo da carreira (15, em 2018-19). Só à sua conta tem mais que os três pontas-de-lança da equipa, que marcaram 12 (7 de Vinícius, 4 de Seferovic e 1 de Raul de Tomás). Pizzi já tinha mantido o Benfica vivo na Liga dos Campeões com aquele momento de inspiração frente ao Lyon, na Luz e, ante o Santa Clara, foi ele que encontrou o caminho. Felizmente para o Benfica, quando joga, tem sempre uma solução.

Depois do desastre da Champions a meio da semana, Lage voltou ao seu plano normal, reunindo Chiquinho e Seferovic no ataque, ambos apoiados por um meio-campo reforçado com Gabriel e Florentino no eixo, e Cervi e Pizzi a abrir nas alas. O Santa Clara estava avisado para os desejos de profundidade dos “encarnados” e não optou pela pressão alta e circulação plácida à espera de um buraco. Era bola ganha e bola para a frente. Tinha gente rápida para isso. João Henriques, o treinador, tinha instruído bem a sua equipa para jogar no erro do adversário. O que aconteceu em quantidades industriais na primeira parte.

Os açorianos entraram bem no jogo e colocaram-se em vantagem aos 17’. Num contra-ataque rapidíssimo, Rafael Ramos avançou pela direita, fez o cruzamento e, na pequena área, Carlos Júnior antecipou-se a André Almeida e fez o 1-0. Quase a fechar a primeira parte, foi Zé Manuel a estar perto do 2-0, mas falhou o alvo. E antes do intervalo, o mais perto que os “encarnados” estiveram da baliza de Marco foi num livre directo de Grimaldo que não passou da barreira.

Para a segunda parte, Bruno Lage reforçou o ataque com a entrada de Carlos Vinícius para o lugar de Florentino e, pouco depois, viu a sua opção justificada. Aos 54’, Chiquinho ganhou uma bola a um jogador do Santa Clara, meteu em Pizzi, que foi à linha e fez o cruzamento. Quase dentro da baliza, Vinícius fez o empate. Ainda houve revisão do VAR para avaliar uma eventual falta durante a jogada, mas Artur Soares Dias apontou para o centro do terreno. 

Aos 78’, o Benfica concretizou a reviravolta. César deixou a bola nos pés de Seferovic quando a sua equipa estava a sair para o ataque, o suíço avançou até à entrada da área, esperou pela chegada de Pizzi e aquele que é o melhor marcador do Benfica esta época não teve quaisquer problemas em fazer o 1-2. Estava concretizada a reviravolta, o Benfica já tinha o que queria e o Santa Clara estava sem nada.

Cabia aos açorianos ir em busca de algo mais e estiveram quase. Já no último minuto da compensação, um remate cruzado de Ukra passou bem perto de um dos postes da baliza de Vlachodimos. O Benfica já não teria tempo de reagir se a bola tivesse entrado, mas não entrou e as “águias” saíram de São Miguel a salvo de uma aproximação do FC Porto. O resultado foi satisfatório, a exibição nem por isso.