Opinião

Cartas ao director

A arte de bem vender

Uma edição numerada de 50 camisolas de lã postas à venda no site da Web Summit, ao preço de 780 euros cada (setecentos e oitenta euros), esgotou em menos tempo do que aquele em que decorreu o evento lisboeta! Paddy Cosgrave, quando confrontado com tal negócio, disse serem produzidas na Irlanda, que não se trata de nenhum negócio, mas antes de apoiar uma pequena indústria da região onde nasceu a mulher!

A ser assim, e acreditando nas palavras do organizador, seria bonito que o Senhor Paddy desse um bocadinho de valor ao país que lhe está a pagar os caprichos e as tropelias e se lembrasse de apoiar as botas de pneu do Arcozelo ou os chinelos de trapos de Paços da Serra. Por certo e sem grande dificuldade, também encontraria por ali um qualquer grau de afinidade que justificasse tal benesse.

Seria uma bela bofetada de luva branca a todos aqueles que lá pela longínqua capital fazem flores e floreados divagando sobre os problemas da interioridade, as regionalizações e as descentralizações e que, quando chegada a hora, mais não vêem que os diminutos horizontes dos seus larguíssimos parapeitos! (...) Como dizia o outro: para o ano, e longe de fazer disso negócio, como é lógico e clarinho como água, talvez o visionário (como alguns lhe chamam) se venha a redimir e venda no site da Web Summit 2020 os bananas dos portugueses com o selo de garantia da Costa Rica (sic)! Perdido por cem… perdido por mil!

António Carvalho, Gouveia

Ventura e Rio

André Ventura entregou na Assembleia da República (AR) um projecto de resolução que é uma proposta ao Governo para criar um grupo de trabalho que estude a redução do número de deputados na AR. André Ventura considera que a actual Assembleia “é um reduto amorfo e viciado”, um funil social, afastada dos cidadãos que se abstêm cada vez mais. Será que Rui Rio, líder parlamentar do PSD, que também defendeu esta redução, irá acolher a proposta e os seus fundamentos?

José Raimundo Correia de Almeida, Santo António dos Cavaleiros

Desde que não fiquem retidos…

É sabido que o Ministério da Educação” (ME) quer promover, à outrance, o sucesso educativo de todos os alunos e os professores, vergados ao peso excessivo de trabalho, vexados, desrespeitados, vêem-se “obrigados” a fazer a vontade aos “cientistas da educação” instalados na 5 de Outubro. A pretensa inovação do ME não passa de uma alteração seguindo as pedagogias construtivistas. E a pergunta impõe-se: pode o professor da nossa escola de massas praticar cabalmente o ensino individualizado e, ainda mais, agregar a inclusão de todos os alunos com problemas de vária ordem? Claro que não pode! É um esforço sobre-humano e quase seria necessário um professor para cada aluno que depara com forte dificuldade na aprendizagem e, mesmo assim, o resultado final não seria o desejável. Portanto, é tudo mendaz e muito “faz de conta”. A política do ME é lírica e irrealista ao pretender o sucesso educativo, a rodos, para todos os alunos. (…)

António Cândido Miguéis, Vila Real