Opinião

A doença do século XXI

O stress tem custos intangíveis se o associarmos aos custos com a produtividade e está, claramente, comprovado que as pessoas não estão a aguentar um estilo de vida muitas vezes demasiado competitivo e individualista.

Caro leitor,

Segundo a Organização Mundial da Saúde, outros organismos competentes e o Livro Verde, documento oficial da Comissão Europeia para os assuntos relacionados com a Saúde Mental, o stress e a depressão serão, já no próximo ano de 2020, a maior causa de morbilidade nos países desenvolvidos. Aliás, o stress e a depressão já vitimam mais pessoas, atualmente, que os acidentes de viação e o VIH/sida.

Para o efeito, o ISMA (International Stress Management Association) assinala a data da consciencialização do stress a cada dia 6 de novembro, desde 1998.

Os objetivos da consciencialização desta data passam por fornecer informação sobre o stress e por promover a importância do bem-estar físico e psicológico para os indivíduos, partilhando estratégias de o combater, quer a organizações (governamentais e não governamentais), quer às pessoas em particular.

O mundo está muito volátil, está em permanente mudança. Vivemos num mundo acelaradamente rápido (p.ex., o que é hoje noticiado como uma notícia de manhã, pode já nem ser notícia num jornal da noite) e a verdade é que a sociedade globalizada acabou por trazer muito desenvolvimento económico e social. No entanto, as trocas comerciais, assim como a gestão, pública e empresarial, centrada em objetivos, padronizaram estilos de vida por todo o mundo e alteraram a forma como as empresas funcionam e operam atualmente e, inclusive, a forma como as nossas crianças e jovens se desenvolvem como seres humanos.

Nos dias de hoje, são mais de 30% os europeus afetados por problemas relacionados com o stress (um número que continua sempre a aumentar) e são perdidos mais de um milhão de dias úteis de produtividade por ano. Aliás, as principais causas de baixas no trabalho são razões relacionadas com problemas de saúde mental, nomeadamente, são causa e consequência do stress nas pessoas. O stress tem custos intangíveis se o associarmos aos custos com a produtividade e está, claramente, comprovado que as pessoas não estão a aguentar um estilo de vida muitas vezes demasiado competitivo, sagaz e individualista/egocêntrico.

Caro leitor, existem dois tipos de stress, o eustress e o distress. O eustress é o stress bom, aquele que nos motiva a começar ou a continuar a trabalhar, a funcionar. Esse é o stress que pode ser identificado como o “stress do bem” e algumas pessoas podem apreciá-lo. Todos nós precisamos de algum stress nas nossas vidas, porque este nos “empurra” a sermos felizes, motivados, desafiados e produtivos. O problema está quando esse stress já não é mais tolerável e nos começa a afetar de forma significativa. Aí começam os problemas. O distress, ou angústia de viver, é quando o bom stress se torna difícil de suportar ou lidar. A tensão aumenta, não há mais nenhuma diversão nos desafios que enfrentamos diariamente e passa a existir uma angústia insuportável. Este é o tipo de stress com que a maioria das pessoas está familiarizada, o que leva à tomada de más decisões. Apresenta como sintomas fisiológicos o aumento da pressão arterial, uma respiração rápida, taquicardia, tensão generalizada, entre outros. Os sintomas comportamentais incluem comer em excesso, perda de apetite, beber, fumar e mecanismos de defesa negativos (p.ex.: negação, evitamento, fuga aos problemas, isolamento).

No entanto, o stress deriva sempre da ansiedade que quando se eleva a níveis clinicamente significativos pode levar as pessoas a cometerem erros constantes consigo mesmos e/ou com outros (família, trabalho, grupo de pares, outros significativos, etc.).

O stress deriva do medo e sentimos medo sempre que prevemos sentir dor ou desconforto da experiência que pensamos realizar. Esta previsão é feita através da análise das experiências que vivemos no passado. Por estas razões, e porque muito se poderia escrever sobre o stress, deixo apenas o conselho de procurar ajuda. Se está atualmente a passar por este tipo de problemas, fique sempre com a ideia de que não está sozinho/a. Procure apoio emocional junto dos que lhe querem bem e, especialmente, procure ajuda profissional.

O autor escreve segundo o novo Acordo Ortográfico