Crítica

A gaiola dourada

Um conto de fadas euro-gótico, entre Lewis Carroll e a Twilight Zone, que assume com gosto a sua dimensão de série B despachada.

Antevemos uma longa (e merecida) vida como filme de culto na categoria “euro-gótico”
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Antevemos uma longa (e merecida) vida como filme de culto na categoria “euro-gótico”
,Diretor de filme
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,Paradise Hills
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,Jeremy Irvine
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Não é difícil de perceber que Raparigas Rebeldes de Paradise Hills se encena a si próprio, deliberadamente, como um “conto de fadas” — é, aliás, por aí que a primeira longa da basca Alice Waddington merece mais do que uma espreitadela casual. Algures entre as narrativas folclóricas pré-edulcoração dos irmãos Grimm e a opulência visual das suas versões Disney, com um trabalho requintadamente perverso de cenários e figurinos, Waddington cria um mistério gótico feminista-girl-power, levemente futurista e profundamente distópico, algures entre Kazuo Ishiguro e Lewis Carroll, que vai buscar tanto à Alice no País das Maravilhas como a Inocência de Lucilie Hadzihalilovic ou à velha Twilight Zone: uma jovem acorda um belo dia numa luxuosa “clínica terapêutica” isolada, na qual meninas debutantes recalcitrantes em ocupar o seu devido lugar numa sociedade patriarcal tratam os seus supostos tormentos psíquicos (ou seja: são moldadas para serem meninas boas).