Cidadãos propõem à AR criação do Dia do Portugal Activo a 16 de Maio em defesa do exercício físico

Projecto de lei que deu entrada no Parlamento defende a necessidade de promover a prática de actividades que envolvam exercício físico ou um desporto e consciencializar a população para uma vida mais activa.

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Mario Lopes Pereira

Um grupo de cidadãos propõe a criação, a 16 de Maio, do Dia do Portugal Activo para promover a prática de actividades que envolvam exercício físico ou um desporto, a par de uma alimentação saudável e uma “vida (mais) activa”. A iniciativa legislativa de cidadãos deu entrada no registo da Assembleia da República na passada quinta-feira.

No texto do diploma, os cidadãos elencam uma série de indicadores estatísticos que desenham um retrato negativo do estado da saúde dos portugueses, com problemas decorrentes da falta de prática de exercício físico. De acordo com o Eurobarómetro sobre a actividade física de 2017, Portugal tem uma das mais baixas taxas de actividade física e desportiva da União Europeia, com 68% das pessoas inactivas - a par de países como a Grécia e a Bulgária - a que se soma o facto negativo de essa taxa ter aumentado 4% em relação a 2013. A que se soma a prevalência do excesso de peso - 61,8% nos homens, 56,6% nas mulheres e cerca de 60% nos jovens com menos de 15 anos - e o facto de Portugal ser um dos países da UE com o maior número de pessoas com diabetes - doença para a qual contribui o sedentarismo.

“Está demonstrado que a inactividade física supõe um custo anual superior a 80 biliões de euros nos países da União Europeia”, dizem os autores do projecto de lei, citando um relatório de 2015, e referindo-se às doenças decorrentes precisamente dessa tendência para o sedentarismo. “Está de igual modo demonstrado que um dólar investido no desporto corresponde a três dólares que se poupam com gastos na saúde”, acrescentam, com base em informação de 2013 da Unesco.

Os autores defendem a necessidade de o Estado e a sociedade civil promoverem o acesso à actividade física e ao desporto, continuando e alargando iniciativas como o Programa de Promoção da Actividade Física ou o Movimento Portugal Activo. Embora, admitem, seja preciso mais: “Urge fomentar a adopção de estilos e comportamentos de vida saudável, que garantam o aumento da longevidade e da produtividade da população, ao mesmo tempo que viabilizem a vital redução dos elevados encargos suportados pelo sistema nacional de saúde.”

Daí que a “educação para a saúde” seja um instrumento essencial para consciencializar a população para os riscos do sedentarismo e da inactividade e para os benefícios de um estilo de vida activo, acrescentam os autores do projecto de lei. “Nesse sentido, afigura-se urgente a instituição de um dia nacional que envolva e influencie todos, veiculando as devidas mensagens e promovendo as necessárias actividades práticas, unidos pela causa comum da actividade física e do desporto, a par de uma alimentação saudável e demais vias promotoras de uma vida (mais activa)”.”