Governo norueguês aconselhado a subir impostos sobre viveiros de salmão

Taxa extraordinária de 40% sobre recursos naturais poderia vir a ser aplicada à produção do salmão em larga escala, uma medida com impacto nos preços.

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Reuters/ERIC GAILLARD

Os impostos sobre os lucros obtidos pelas empresas norueguesas que exploram viveiros de salmão devem ser aumentados, recomendou ao Governo uma comissão composta por especialistas nomeados pelo próprio Executivo. A passagem à prática da medida – que conduziria provavelmente a um agravamento dos preços - conta ainda, no entanto, com forte oposição dentro da coligação governamental na Noruega.

A maior parte dos membros da comissão propõe que seja introduzido na produção de salmão um imposto extraordinário sobre recursos naturais semelhante ao que já existe, por exemplo, no sector petrolífero na Noruega, para limitar o impacto ambiental do negócio. A taxa a aplicar sobre os lucros das empresas que exploram viveiros de salmão seria de 40%, o que geraria uma receita para o Estado de cerca de sete mil milhões de coroas norueguesas (690 milhões de euros) ao ano.

A criação da comissão há cerca de um ano foi um resultado de pressões por parte dos partidos da oposição sobre o governo e, agora, subsistem muitas dúvidas sobre o que é que o Executivo irá fazer com a recomendação que lhe foi apresentada, já que dentro dos partidos da coligação governamental existe pouca vontade de penalizar as empresas de um dos sectores económicos mais importantes do país. De qualquer forma, na manhã desta segunda-feira, as acções das empresas produtoras de salmão norueguesas – que são líderes mundiais do sector, foram penalizadas com descidas significativas das cotações.

A Noruega produziu, em 2018, cerca de 1,1 milhões de toneladas de salmão, o que representa mais de metade do total da produção mundial. Durante os últimos anos, tem-se assistido a uma subida de preços do salmão, havendo a expectativa de que um agravamento da tributação para limitar o impacto ambiental deste negócio possa resultar em novas subidas de preços.