Ineficácia do Boavista custou invencibilidade em noite de hara-kiri

V. Setúbal venceu pela segunda vez no campeonato, graças a um autogolo de Marlon já na recta final da partida.

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LUSA/RUI MINDERICO

À 10.ª jornada, o Boavista perdeu pela primeira vez na Liga (1-0), cedendo junto ao Sado, já perto do final do encontro, numa noite em que cometeu o pecado de esbanjar inúmeras oportunidades e de ainda fazer hara-kiri perante uma defesa férrea do V.Setúbal, com Makaridze em grande plano. 

Os sadinos até começaram a celebrar um golo de Ghilas (7’), que seria o primeiro do argelino para o campeonato — depois do hat-trick na Taça de Portugal —, não fosse a intervenção do VAR a invalidar o lance por posição irregular do avançado. Refeito do susto, o Boavista, que já testara a atenção de Makaridze num remate de meia-distância de Obiora, logo aos cinco minutos, foi equilibrando a partida até passar a exercer um maior controlo. 

Sem Yusupha nem Rafael Costa, e com Mateus no banco, a equipa do Bessa poderia ter aproveitado essa fase de maior ascendente sobre os locais para marcar, mas Makaridze desviou um remate colocado de Paulinho, servido por Stojiljkovic.

Inconformado com a decisão milimétrica no lance de Ghilas, o V. Setúbal foi à procura de um golo que  Helton Leite evitou, perante Carlinhos. O Boavista não estava na disposição de abdicar do estatuto de única equipa da Liga ainda invicta e forçou no ataque, com a dupla Paulinho/Stojiljkovic muito activa, enquanto Ricardo Costa ia resolvendo as situações mais complicadas na retaguarda dos “axadrezados”. 

Apesar das tentativas recorrentes de parte a parte, o nulo acabaria por prevalecer no final da primeira metade, muito por culpa da ineficácia de Nuno Valente, a desperdiçar, já no período de compensação, uma ocasião soberana depois de Hilderberto ter desmontado a defesa boavisteira, deixando a bola à disposição do companheiro, que rematou forte mas por cima da barra.

Respondeu o Boavista no reatamento do jogo, com Makaridze a revelar-se decisivo com uma enorme defesa a negar o golo a Stojiljkovic (60’), depois de André Sousa ter impedido em duas ocasiões os avanços dos portuenses. O Boavista intensificava os ataques, mas revelava uma incapacidade gritante na definição dos lances — rematava com facilidade, mas não conseguia bater a defesa sadina. 

O lateral Marlon, de livre, dispôs de duas oportunidades, mas também não conseguiu fazer melhor do que o sérvio. Aliás, acabou mesmo por sentenciar a partida, com um autogolo providencial para os sadinos, cada vez mais encurralados. Num quadro de grande dificuldade, o técnico interino, Albert Meyong, fez saltar do banco o avançado Hachadi: substituição determinante, com o marroquino a romper o bloqueio e a provocar o erro de Marlon, selando a segunda vitória por 1-0.