Fernando Medina nas Finanças? Marques Mendes já ouviu falar

Comentador garante que a hipótese de Mário Centeno passar o lugar a Fernando Medina é falada entre os socialistas.

Medina, Costa e Centeno na campanha para as legislativas
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Medina, Costa e Centeno na campanha para as legislativas Francisco Romao Pereira

Luís Marques Mendes disse este domingo à noite na SIC que Mário Centeno está em rota de colisão com o primeiro-ministro e que no PS fala-se em segredo na sua substituição por Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa, onde sucedeu a António Costa.

Mário Centeno está em rota de colisão com o primeiro-ministro. Foi despromovido, não falou no debate [do programa do Governo] e está de saída. Ou sai já em 2020 ou em 2021. Isso já não será novidade. A grande novidade pode ser quem o vai substituir”, afirmou Luís Marques Mendes, que já antes tinha dedicado parte do seu comentário ao debate sobre o programa do executivo.

Para Mendes, há duas hipóteses em cima da mesa, sendo que uma passa por uma solução interna e outra por convidar alguém de fora do Governo. A solução interna (e mais provável, de acordo com o ex-líder do PSD) será será Mourinho Félix, actual secretário de Estado. "É uma escolha natural. É o número dois nas Finanças. É o substituto de Centeno. É o representante do Governo no Eurogrupo”, explicou. Já a solução externa (e menos provável, segundo Mendes) é “uma surpresa de que se fala em segredo num círculo restrito dos bastidores” do PS. “Essa surpresa seria Fernando Medina, o presidente da Câmara de Lisboa. Medina deixaria a autarquia e passava a integrar o Governo num cargo importantíssimo”, acrescentou o comentador.

Ao escolher Medina, António Costa estaria assim a dar um sinal quanto à sua sucessão. “Este é o último Governo de Costa que, no final da legislatura, quer rumar a Bruxelas para um cargo europeu. Ora, Fernando Medina sempre foi o delfim de António Costa. É quem o primeiro-ministro mais gostava de ver como seu sucessor”, justificou Marques Mendes, para quem “trazer Medina para o Governo seria fazer ‘dois em um': reforçava o estatuto de Medina e evitava os riscos de uma eleição.”

Neste domingo, Mendes começou por comentar o futuro da ADSE e referiu-se ao “enorme puxão de orelhas” do Tribunal de Contas (TdC) aos ministérios das Finanças e da Saúde. “[O TdC] Diz que, apesar de a ADSE ser viável, a ausência de decisões por parte do Governo pode levar o subsistema à falência em poucos anos.”

Sobre o debate do programa do Governo, que considerou fraco, Marques Mendes avaliou a prestação dos vários intervenientes. António Costa “não esteve particularmente feliz”. Rui Rio colocou questões “pertinentes e legítimas”, teve “mérito e sentido de oportunidade”. PCP e BE mostraram que “estão numa encruzilhada” porque “ainda não decidiram se são oposição ou se serão aliados informais do Governo”. O CDS esteve “apagado”. E os novos partidos “não impressionaram na estreia”. “Mesmo assim, percebe-se que o Livre tem um problema: dificuldade em passar a mensagem”, disse, referindo-se à gaguez da deputada Joacine Katar Moreira.

Mendes ainda teve tempo para se referir ao caso Sócrates e às eleições em Espanha que serão “influenciadas pelos acontecimentos na Catalunha”, resultando numa “claro reforço da direita e da extrema-direita”.