Crónica de jogo

Benfica volta a convencer frente ao Rio Ave

Frente ao seu antigo adjunto, Carlos Carvalhal ainda prometeu, mas os “encarnados” voltaram a mandar na Luz, com golos de Rúben Dias e Pizzi. Com apenas três golos sofridos em dez jornadas, os campeões nacionais dão nas vistas na Europa.

Pizzi e Rúben Dias festejam o primeiro golo do Benfica na Luz
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Pizzi e Rúben Dias festejam o primeiro golo do Benfica na Luz LUSA/MARIO CRUZ
Carlos Carvalhal comprimenta o seu sex-adjunto Bruno Lage antes do encontro
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Carlos Carvalhal comprimenta o seu sex-adjunto Bruno Lage antes do encontro LUSA/MÁRIO CRUZ
Rúben Dias festejou no seu 100.º encontro com a camisola do Benfica
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Rúben Dias festejou no seu 100.º encontro com a camisola do Benfica LUSA/MARIO CRUZ
Rúben Dias
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Bruno Lage
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Bruno Lage
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Desta vez Carlos Carvalhal foi incapaz de reproduzir a fórmula que surpreendeu o Sporting há seis jornadas em pleno Estádio de Alvalade, do qual saiu com uma vitória por 2-3. Agora, frente ao Benfica e ao seu ex-adjunto Bruno Lage, o Rio Ave até chegou a prometer nos instantes iniciais, mas depressa a “normalidade” imperou no Estádio da Luz. Rúben Dias e Pizzi deram alguma expressão à total superioridade dos campeões nacionais (2-0), que vão manter-se como líderes isolados da classificação.

Depois de algumas partidas pouco brilhantes e outras totalmente desastrosas, especialmente no panorama internacional, os “encarnados” voltaram a convencer nestas duas rondas caseiras para o campeonato. Os indícios deixados na goleada frente ao Portimonense (4-0), a meio da semana, foram reforçados ontem frente a um adversário bem mais complicado.

O resultado imediato é que as críticas a Lage foram, para já, esquecidas (ou atenuadas) e os adeptos voltaram a acreditar num futuro risonho, pelo menos na principal competição nacional. A contabilidade contribui para o optimismo. O Benfica tem mais sete pontos do que na última (e bem-sucedida) temporada; reforçou o estatuto de melhor ataque da Liga, com 23 golos (eram 19 há um ano) e mantém uma defesa de betão na prova, com apenas três golos consentidos em 10 encontros. Uma média de 0,3 por partida, que torna a equipa lisboeta a menos batida dos campeonatos europeus.  

Com três mexidas em relação ao jogo anterior com o Portimonense — entraram Ferro, Florentino e Pizzi para os lugares de Jardel, Samaris e Gedson —, os “encarnados” demoraram algum tempo a entrar na partida, mas quando se recompuseram fizeram-no de forma eficiente e letal.

Antes, no primeiro quarto de hora do encontro, pairou a ideia de que os guiões dos dois protagonistas estavam invertidos. Os vila-condenses entraram descomplexados e bem organizados num relvado que tradicionalmente não traz alegrias ao conjunto nortenho: a última vez que pontuaram na Luz foi há 14 anos. Imunes ao ruído das bancadas, os visitantes conseguiam empurrar o adversário para o seu meio-campo, com um futebol apoiado e alguma superioridade no meio-campo.

Era o Benfica quem aparentava desconforto, mas, mesmo assim, foram da equipa da casa os principais lances de perigo neste período em que o Rio Ave, surpreendentemente, liderava a posse de bola, que chegou aos 57%. Não durou muito.

O conjunto de Bruno Lage acelerou os processos, passou a pressionar mais na frente e o central Rúben Dias fez o papel de matador. Aos 32’, após um lance polémico de eventual grande penalidade (carga de Matheus Rei sobre André Almeida na pequena área), no canto que se seguiu, apontado por Pizzi, o jovem de 22 anos subiu mais alto e fuzilou as redes vila-condenses.

O Benfica apontava o seu nono golo da temporada na sequência de um lance de bola parada, o sétimo após um canto. Os lisboetas não deixaram mais o encontro fugir ao seu controlo, mas só aos 51’, numa altura em que o Rio Ave procurava responder à desvantagem, se respirou mais tranquilamente nas bancadas da Luz. Num lance vistoso do ataque, Cervi cruzou atrasado da esquerda e Pizzi fez magia. Após tirar dois adversários da frente com uma simulação, ampliou para sete o número de golos na I Liga (12 nesta temporada).

Entre os dois golos e ainda no primeiro tempo, o ex-benfiquista Nuno Santos esteve muito perto de poder alterar a história do encontro. Depois de ultrapassar em velocidade André Almeida, o extremo flectiu para o centro e rematou ao poste direito.

O segundo golo e o conforto da vantagem precipitaram o Benfica para o ataque em busca de nova goleada. Mas o terceiro golo, que chegou a parecer praticamente inevitável, acabou por não surgir.