Ilustração

Cachete Jack, um “monstro de duas cabeças” pronto a disparar bofetadas para ensinar a dizer help!

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Cachete, em espanhol, significa bofetada. O que explica muita coisa. "Talvez tenha algo a ver com a força que queremos transmitir nas nossas imagens". Escreve a dupla Cachete Jack, "monstro de duas cabeças" e quatro mãos que faz ilustração digital, manual, animações, vinis, livros, murais e muito mais. E ri, sempre.

Por baixo deste adamastor estão as ilustradoras espanholas Nuria Bellver e Raquel Fanjul, nascidas em 1988, em Torrent, Valência, e Alcañiz, Teruel, capricórnio e aquário, respectivamente. Conheceram-se na Faculdade de Belas Artes de Valência, onde estudaram de 2006 a 2011 e, no último ano do percurso, começaram a trabalhar juntas enquanto Cachete Jack. "Uniu-nos o nosso sentido de humor, pensámos que das piadas podíamos criar imagens", contam, por email ao P3. Assim começaram "a ilustrar até hoje" e a "visualizar graficamente" piadas, injustiças sociais, tudo o que lhes chama a atenção.

Na (vasta) carteira de clientes surgem nomes gigantes como The New York Times, The New Yorker, FNAC, Urban Outfiters, Dropbox, Hermés, entre outros. Chegam a 2 de Novembro a Lisboa, à Ó! Galeria (Calçada de Santo André, 86), naquela que será a segunda exposição da dupla em solo português (a primeira foi em 2012 na congénere do Porto). Com elas trazem Help!, uma série de 20 trabalhos em serigrafia feitos em exclusivo para aqui. 

Neles querem falar de "pedir ajuda", "olhar para dentro" e da importância de que cada um dê a si mesmo o que precisa, sem enganos. De saber "escutar, olhar em redor, procurar apoio entre os demais e partilhar responsabilidades". "É um tema muito amplo, mas vivemos numa sociedade que anda muito depressa e não pára para reflectir e, às vezes, só é preciso parar e olhar." Sempre com um estilo "directo, colorido, honesto e com sentido de humor", mesmo quando põem um espelho à frente das angústias dos dias de hoje. Tanto perante o instagramer, que fora do smartphone pouco sorri, como frente a Eva, primeiro "antepassado espiritual" das mulheres de 2019, mais uma vítima da "sociedade patriarcal". 

Já agora, fica um conselho para jovens ilustradores freelancers: "Seguir a intuição, ser perservante e não desfrutar da criatividade sozinho". E a elas, o que lhes falta fazer? "Muitíssimas coisas. Só temos 31 anos e, sendo mulheres, temos que aproveitar a época em que vivemos."