Google justifica resultados abaixo do esperado com investimentos em novas áreas

Nos últimos meses, a empresa mostrou novos produtos de electrónica de consumo e uma plataforma de videojogos online. A contratação de funcionários representou a maior fatia do aumento de custos.

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Os líderes da empresa dizem que estão focados no investimento a longo prazo Reuters/Charles Platiau

Os mais recentes resultados financeiros do Google desiludiram Wall Street: as receitas da Alphabet – a empresa-mãe do motor de busca – para o terceiro trimestre de 2019 aumentaram em relação ao ano passado, mas ficaram aquém das expectativas dos investidores. No terceiro trimestre de 2019, a empresa comunicou lucros de 7,07 mil milhões de dólares (cerca de 6,4 mil milhões de euros) – é o equivalente a 10,12 dólares por acção. Só que em 2018, a empresa reportou lucros de cerca de 9,11 mil milhões de dólares e os analistas esperavam receitas no valor de 12,42 dólares por acção para este trimestre.

Durante a apresentação dos resultados, porém, o presidente executivo do Google, Sundar Pichai, descreveu-se como “extremamente satisfeito com os resultados” e lembrou os avanços recentes na área da nuvem, pesquisa móvel (com novos serviços de acessibilidade para pessoas com deficiências auditivas ou visuais), e na área da computação quântica, com computadores cada vez mais rápidos. 

Por detrás dos valores abaixo do que era esperado pelos analistas está o aumento do investimento em áreas como a electrónica de consumo – com os portáteis PixelGo, os telemóveis Pixel, e as colunas inteligentes Google Home – e a computação em nuvem para novas plataformas de videojogos online que obrigam a empresa a contratar milhares de profissionais em todo o mundo. Por exemplo, o Stadia, o novo projecto da empresa para jogar videojogos em vários tipos de dispositivo (desde computadores e telemóveis, a televisões conectadas), depende da manutenção de uma gigantesca infra-estrutura de servidores para disponibilizar o conteúdo através da Internet. São tudo áreas que a empresa vê como importantes para manter-se bem posicionada em relação a empresas rivais como a Amazon e da Microsoft.

“Também anunciámos que estamos a investir cerca de 150 milhões em projectos de energia renovável em regiões chave em que os nossos produtos são fabricados”, notou Pichai. “Esperamos que isto impulsione mais investimentos sustentáveis”. Recentemente a empresa foi alvo de críticas por apoiar financeiramente algumas organizações que contestam a gravidade das mudanças climáticas.

“Estamos focados no investimento a longo prazo. E, por isso, o crescimento trimestral pode variar – e tem variado”, frisou, por sua vez, Ruth Porat, a directora financeira da Alphabet, durante a conferência com investidores que se seguiu à apresentação dos resultados. “As despesas operacionais foram de 13,8 mil milhões de dólares, com o crescimento do número de funcionários a ser o maior impulsionador desse valor”, acrescentou Porat.

A directora financeira recordou ainda que o Google tem investido bastante em conteúdo novo para o serviço de streaming do YouTube que inclui várias séries e documentários originais.

“Acredito que estamos a analisar uma variedade de abordagens para garantir que continuamos a fazer aquilo que precisamos”, frisou, por sua vez, o presidente executivo do Google. “O nosso negócio ao nível da electrónica de consumo ainda está nas fases iniciais, mas estamos a continuar o investimento nesse negócio e no portfólio de produtos”, disse Pichai. “[Por exemplo], a equipa está entusiasmada com o lançamento dos Pixel Buds, os primeiros auriculares verdadeiramente sem fios, e da Stadia, a nossa plataforma de jogos online.”

O líder do Google acrescentou ainda que a empresa deve continuar a investir em tecnologia quântica (a semana passada a empresa revelou um processador quântico capaz de resolver em 200 segundos uma equação que um computador normal demora dez mil anos), mas que a curto prazo o foco é no investimento da computação em nuvem – um modelo em que dados e ficheiros computacionais deixam de ficar armazenados num só computador para ficar armazenados em servidores da Internet o que implica que estão assim acessíveis a partir de qualquer dispositivo com ligação à rede.

No terceiro trimestre de 2019, a receita do motor de busca Google com a publicidade aumentou em 20% a receita total da Alphabet, superando ligeiramente as expectativas dos investidores de Wall Street. No entanto, os custos administrativos da empresa subiram quase 50% – até 2,6 mil milhões de dólares – em parte devido ao pagamento de mais de 500 milhões de dólares na sequência de um acordo com as autoridades fiscais francesas.