Facebook criticado por incluir site de extrema-direita em nova plataforma de notícias

Mark Zuckerberg defende a inclusão do Breitbart ao dizer que a plataforma de notícias do Facebook precisa de vários pontos de vista para conseguir a confiança dos utilizadores.

Mark Zuckerberg
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Zuckerberg diz que o Breitbart News será excluído se publicar informação falsa Reuters/ERIN SCOTT

O Facebook está a ser criticado por apresentar o Breitbart News, um site de notícias norte-americano orientado para a extrema-direita, como uma fonte de confiança na sua nova plataforma de notícias. Foi na sexta-feira passada que a rede social primeiro anunciou o plano para investir milhões de dólares numa secção de notícias de confiança direccionada a utilizadores nos EUA. O projecto inclui parcerias com cerca de 200 órgãos noticiosos de vários espectros políticos – desde o Wall Street Journal, ao Los Angeles Times, ao Politico e à Fox News – que serão pagos consoante o número de visualizações e leitores que o conteúdo recebe.

A inclusão da plataforma Breitbart News é a que mais tem sido criticada: fundada em 2007 pelo comentador conservador Andrew Breitbart, o site é conhecido pela divulgação de várias notícias falsas e teorias de conspiração. Em Abril, por exemplo, o site publicou uma notícia em que dizia que o “aquecimento global não era a culpa dos seres humanos”, mesmo com os autores do artigo académico citado a dizerem, noutros sites, que as suas conclusões indicavam precisamente o contrário. A frequência destes casos levou a Wikipédia a incluir o site na lista de fontes de informação dúbia, onde estão tablóides como o britânico Daily Mail.

Numa sessão de perguntas e respostas sobre a nova plataforma, Mark Zuberberg defendeu a inclusão do site: “Definir uma fonte como elegível não quer dizer que esteja sempre a aparecer”, disse o presidente executivo da rede social em resposta a perguntas de jornalistas. Além de uma secção adaptada aos gostos de cada utilizador, uma das características da nova plataforma do Facebook é uma secção de notícias de topo de vários órgãos seleccionada diariamente por uma equipa de jornalistas.

“Para sermos uma plataforma de confiança, precisamos de incluir pontos de vista diversos, e para isso queremos incluir conteúdo que represente diferentes perspectivas”, frisou Zuckerberg. Pelo menos, até esse conteúdo incluir informação falsa. “Se um parceiro publicar desinformação, deixará de aparecer”, escreveu o fundador do Facebook num artigo de opinião sobre o novo projecto publicado no jornal The New York Times.

O PÚBLICO contactou o Facebook para mais informação. Em resposta, a empresa remete para o comunicado original sobre a nova plataforma, em que se lê que a lista de parceiros está em “permanente mudança” e que se um parceiro “publicar desinformação” ou artigos clickbait deixa de ser elegível.

Adam Mosseri, o actual responsável do Instagram, que o Facebook comprou em 2014, também já defendeu a decisão de Zuckerberg em público. “Queremos mesmo que uma plataforma como o Facebook abrace ideologia política?”, questionou o executivo no Twitter sobre a possibilidade do Facebook banir o Breitbart News da sua plataforma de notícias. Antes de liderar o Instagram, Mosseri supervisionou as equipas responsáveis pela interface do Faebook e pela gestão do feed de notícias durante uma década.

 “Não estou a defender o Breitbart News”, clarificou Mosseri. “Estou a perguntar se queremos mesmo que uma plataforma à escala do Facebook exclua organizações de notícias com base na ideologia?”.

Até Janeiro de 2018, o director executivo do Breitbart News era Steve Bannon principal estratega da campanha de Donald Trump. Além de partilhar teorias da conspiração, o site é conhecido por títulos exagerados a criticar os direitos da população LGBT e os direitos dos imigrantes, e publicar artigos sem bases factuais que dizem, por exemplo, que mulheres que tomam a pílula são menos atraentes ou que o número de pedidos de adopção de casais heterossexuais está a diminuir e os pedidos de casais homossexuais está a aumentar.

Não é a primeira vez que o Facebook é criticado pela sua abordagem à desinformação que circula no site. Em vez de remover publicações falsas, o site tem por hábito dar-lhes menos destaque no feed de notícias. Quem usa a rede social pode ter “pontos de vista muito diferentes”, defende o Facebook, e remover as publicações falsas seria “contrário aos princípios básicos da liberdade de expressão”.