Partido presidencial sofre derrota pesada nas eleições locais na Colômbia

Em Bogotá, foi uma noite histórica. Foi eleita uma mulher lésbica, que é também um dos principais rostos da luta contra a corrupção.

Claudia López será a primeira mulher a chefiar a autarquia da capital colombiana
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Claudia López será a primeira mulher a chefiar a autarquia da capital colombiana EPA/MAURICIO DUENAS CASTANEDA

As eleições locais na Colômbia desferiram um duro golpe sobre o Centro Democrático (CDC), o partido do actual Presidente, Iván Duque. Em Bogotá, capital e maior cidade do país, foi eleita presidente do município uma candidata lésbica, um marco num país conservador e profundamente católico.

A tendência nacional aponta na direcção do desgaste dos grandes partidos tradicionais e das candidaturas únicas, com a generalidade do eleitorado a optar por coligações. Um dos principais exemplos foi a vitória do candidato independente Daniel Quintero em Medellín, que reflecte o mau momento do “uribismo” – esta é a cidade natal do ex-Presidente Álvaro Uribe, mentor de Duque e que continua a ser um actor político fundamental na Colômbia.

O CDC também saiu derrotado na disputa pelo governo de Antioquia, um dos maiores departamentos do país e que é considerado um bastião conservador. Uribe reconheceu a derrota em toda a linha do seu partido através de uma curta mensagem no Twitter: “Perdemos, reconheço a derrota com humildade. A luta pela democracia não tem fim.”

O analista Sergio Guzmán considera que as eleições locais foram “um duro golpe para o ‘uribismo’”. O Presidente terá agora de “escolher entre o seu partido e o Governo”, afirmou, citado pelo El País.

Uma das grandes surpresas foi a vitória Claudia López, da Aliança Verde, que se torna na primeira mulher eleita para chefiar a autarquia de Bogotá. A ex-senadora que se tornou numa das principais vozes no combate à corrupção. Uma das imagens da noite eleitoral é o beijo que López deu à sua companheira para celebrar a vitória e que correu o país e todo o continente americano.

“Hoje, Bogotá escolheu pela primeira vez a filha de uma família como a sua, de famílias que sobem a pulso, que com amor e tenacidade conseguem superar as dificuldades todos os dias”, afirmou López no discurso de vitória.

Outra vitória importante, embora simbólica, foi a de Guillermo Torres na cidade de Turbaco, com 70 mil habitantes, que se torna no primeiro ex-guerrilheiro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) a ser eleito para um cargo político. No entanto, Torres, que era conhecido como o cantor das FARC, não se candidatou pelo partido nascido a partir da guerrilha, a Força Alternativa Revolucionário do Comum, mas sim por uma coligação liderada pelo Colômbia Humana, partido do ex-candidato presidencial Gustavo Petro.

“Na minha longa vida militante carreguei mais vezes a guitarra ao ombro do que a espingarda”, disse ao jornal El Tiempo Torres, que adoptou o nome de guerra de Julián Conrado Marín. Num momento crítico para o processo de paz assinado em 2016, o partido dos ex-guerrilheiros teve uma votação muito reduzida praticamente em todo o país.

Apesar de a paz com as FARC continuar a dividir o país, as eleições locais giraram em torno de assuntos quotidianos e também da corrupção, notava o El Tiempo. E segundo essa lógica os partidos tradicionais falharam.