Tiger Woods fez um “grande número” e igualou um recorde

Golfista norte-americano venceu Zozo Championship, no Japão, e igualou o registo de 82 vitórias de Sam Snead no PGA Tour, um máximo que perdurava desde 1965.

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Tiger Woods LUSA/JIJI

O primeiro título de Tiger Woods no PGA Tour aconteceu em 1996, em Las Vegas, então acabadinho de se tornar profissional com 20 anos. Decorridas quase duas décadas e meia, e a dois meses de fazer 44 anos, aquele que é um dos maiores atletas de sempre continua a fazer história na sua modalidade tendo igualado, nesta segunda-feira, no Japão o recorde de 82 vitórias de Sam Snead (1912-2000) no circuito, um máximo que perdurava desde 1965.

“Bem, é um número grande. É sobre consistência e como tê-la por um longo período de tempo. Tenho muita sorte de ter tido a carreira que tive até agora”, comentou Woods após o triunfo no Zozo Championship, o primeiro torneio do PGA Tour realizado no Japão, em Chiba, perto de Tóquio. O seu compatriota Gary Woodland, que jogou com ele as duas últimas voltas, fala num número “louco”: “Olhamos para os jogadores que venceram dez vezes e são já bastante especiais.”

Sem nenhuma vitória e com escassos torneios jogados entre 2014 e 2017, enquanto se debateu com problemas físicos nas costas, Tiger Woods leva já três vitórias nos últimos 13 meses, desde o seu ressurgimento em 2018, quando ganhou o Tour Championship em Atlanta, Georgia. Em Abril de 2019, também na Georgia, conquistou o seu quinto Masters e primeiro major desde 2008, elevando para 15 o número de títulos no Grand Slam, marca só superada pelo também norte-americano Jack Nicklaus (18).

“Provavelmente, o ponto mais baixo por que passei foi não saber se conseguiria voltar a viver sem dores”, reconheceu ontem o californiano. “Conseguiria eu sentar-me, estar de pé, andar ou deitar me sem sentir as dores que sentia? Iria ser assim para o resto da minha vida? Eu só não queria viver assim”, acrescentou o californiano, salvo desta condição na sua quarta operação às costas, em 2017, uma fusão espinhal – duas vértebras soldadas numa só.

Mas os seus problemas físicos não terminaram aqui. No final de 2018 voltou a sentir dores no joelho esquerdo, alvo já de quatro operações no passado. Nada fez – e o sensacional triunfo no Masters pareceu dar-lhe razão. Porém, a situação agravou-se posteriormente, ao ponto de não se conseguir baixar para ler as linhas dos greens. O seu jogo ressentiu-se, os resultados pioraram e falharia o apuramento para o encerramento da época no Tour Championship. A 20 de Agosto, finalmente, submeteu-se a uma quinta cirurgia.

Do que seria capaz de fazer no Zozo Championship, na sua estreia na temporada de 2019/20, era, por isso, uma incógnita. Afinal, foi um incrível Tiger o que se apresentou no Par 70 do Accordia Golf Narashino Country Club. Teve um começo desastroso na quinta-feira (bogeys nos três primeiros buracos), mas reagiu com nove birdies para um 64 (-6) que lhe deu a co-liderança a abrir com Gary Woodland, o campeão do Open dos EUA.

Chuvas torrenciais impediram que se jogasse na sexta-feira a segunda volta, pelo que só no sábado a prova foi retomada, com Woods a repetir o resultado do primeiro dia isolando-se na frente. Depois, completou a segunda metade do torneio com 66-67, o que incluiu o teste de resistência de jogar 29 buracos no domingo. Os últimos sete buracos foram jogados segunda-feira de manhã, com Tiger a confirmar a vitória com um total de 261 (-19), menos três que o japonês Hideki Matsuyama. Um triunfo que lhe valeu um prémio de 1,8 milhões de dólares e a subida de 10.º para 6.º no ranking mundial. O norte-irlandês Rory McIlrou, n.º 2 mundial, partilhou o terceiro lugar com o sul-coreano Sungjae Im, a seis pancadas do vencedor.

Sam Snead tinha 52 anos quando averbou o seu 82.º triunfo no PGA Tour, Tiger Woods tem 43 anos e procura agora ficar sozinho no trono dos mais prolíficos campeões. Mas essa é uma tarefa para 2020, já que este ano não joga mais no circuito. Irá competir, sim, no Hero World Challenge, em Dezembro, nas Bahamas, uma prova não-oficial restrita a menos de 20 jogadores e de que é o anfitrião. E, logo a seguir, capitaneia a selecção dos EUA que defronta a Equipa Internacional na President’s Cup, em Melbourne, Austrália, uma versão da Ryder Cup sem europeus.

Os quatro wild cards da equipa que vai comandar na President’s Cup serão anunciados a 3 de Novembro, havendo fortes possibilidades de que o próprio se autocontemple com um deles, assumindo assim a função de capitão-jogador, situação inédita no conjunto americano desde Hale Irwin na primeira edição do evento em 1994. “Penso que o jogador conseguiu, definitivamente, chamar a atenção do capitão”, disse Woods com um sorriso.