Bad Gyal, do seu quarto na Catalunha para o mundo

Esta sexta-feira, a cantora que lançou Worldwide Angel em 2018 actua no Musicbox, em Lisboa, para espalhar a sua música que mistura espanhol, catalão e inglês por cima de instrumentais futuristas muitas vezes frios e melancólicos.

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Alba Farelo canta música que anda entre o dancehall, o reggaetón e o trap. Mas a artista catalã, que usa o espanhol, o catalão e o inglês para fazer música sob o nome de Bad Gyal, prefere que categorizem o seu trabalho apenas entre os dois primeiros géneros. “Rejeito o trap porque fala de vender drogas e outras experiências que eu não vivi. Prefiro catalogar a minha música em função do ritmo e não do tema, e por isso identifico-me mais com dancehall e reggaetón. As canções falam do que eu vivo”, explica ao PÚBLICO, através de respostas gravadas em áudio às perguntas que lhe foram enviadas por escrito via email.

Num momento em que a música cantada em espanhol tem cada vez mais força, as canções de Bad Gyal, cuja voz se sobrepõe a instrumentais futuristas muitas vezes frios e melancólicos, trouxeram-lhe um público assinalável. “Agora temos a oportunidade de não ficar só por Espanha ou pela América Latina, de haver gente que não fala espanhol a ouvir-nos”, comenta. Fiebre, por exemplo, passou a barreira dos 23 milhões de audições no Spotify e dos 16 milhões de visualizações no YouTube. É este fenómeno que poderá ser ouvido esta sexta-feira, às 00h30, no Musicbox, em Lisboa, num concerto já esgotado que encerra o festival Jameson Urban Routes (no turno anterior, também já esgotado, há Moullinex com Bruno Pernadas). Antes e depois do concerto da cantora, a portuguesa Catxibi e o francês King Doudou, o produtor de Fiebre, respectivamente, passarão música.

O percurso de Bad Gyal começou em 2016, quando Alba gravou no quarto de casa dos pais em Vilassar de Mar, na Catalunha, uma remistura de Work, da sua heroína Rihanna, mudando a letra para “pai”, expressão por ela inventada para se referir a dinheiro. O tema, que fala sobre ganhar dinheiro e fumar marijuana, foi posto no YouTube com um vídeo caseiro –​ rendeu-lhe três milhões de visualizações e uma carreira. Foi então que a cantora, filha do actor e dobrador Eduard Farelo, desistiu do seu emprego num call center e da faculdade. Tinha 19 anos. Nesse mesmo ano, lançou a mixtape Slow wine e, em 2018, o álbum Worldwide Ángel, com instrumentais assinados por colaboradores como o britânico Jam City, o também catalão El Guincho ou o americano Dubbel Dutch. Ainda esta semana apresentou um novo single, Alocao, com o cantor de flamenco e estrela de reality show Omar Montes.

Desde então, saiu do quarto e começou a fazer música em estúdios a sério, primeiro em Barcelona, cidade para onde se mudou, e, depois de ter assinado pela Interscope em Abril, em Miami, onde o estúdio “é enorme”. Em ambos os casos, tentou manter a vibração caseira: o lugar onde grava tem de ser um sítio onde “se possa fumar”, para que Alba possa aceder à substância que inspirou Pai e aproximar-se “ao máximo daquilo que sentia no quarto”.