Como e onde arrumar as roupas e calçado é a maior dor de cabeça dos portugueses

A Ikea faz visitas às casas dos portugueses para estudar os comportamentos das pessoas, de modo a “compreender os seus sonhos”.

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Como conseguir uma casa com muita arrumação, em particular mais e novas formas de guardar a roupa e o calçado? Esta é a principal preocupação dos portugueses inquiridos por equipas da Ikea, durante uma centena de visitas que fazem, anualmente, de norte a sul do país. “Vamos às casas das pessoas para perceber quais são as suas frustrações e sonhos em relação à habitação onde vivem”, para estudar o seu comportamento e criar novas soluções, explica ao Marta Cunha, interior designer leader da Ikea Portugal.

“Quando há crianças, uma das maiores frustrações das pessoas é como arrumar os brinquedos”, continua Marta Cunha ao PÚBLICO, à margem da conferência em que participou na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, no Porto, no âmbito da Porto Design Biennale, juntamente com Marcus Arvonen, senior designer da Ikea Suécia, e Nuno Santos, innovation leader da Ikea Industry, em Paços de Ferreira.

O encontro, que decorreu sob o tema “Portugal Industrial”, centrou-se na ideia de criar um ambiente melhor em casa, acessível à maioria das pessoas, através do conceito que a marca sueca promove de design democrático, que assenta em cinco pilares: forma, funcionalidade, sustentabilidade, relação qualidade/preço, e preço acessível. “Pretendemos, assim, chegar à maioria das pessoas”, resume Marta Cunha. 

O objectivo das visitas que a marca faz às casas dos portugueses nas áreas de influência das lojas Ikea — Braga, Matosinhos, Alfragide, Loulé e Loures — passa ainda por, explica, “compreender a necessidade do nosso mercado, que é diferente do asiático ou do americano, por exemplo. O que leva a que as soluções para as casas sejam também diferentes em cada um destes mercados”.

Durante as visitas, as equipas multidisciplinares, constituídas por profissionais dos departamentos de design de interiores, marketing e comercial, estudam os comportamentos das pessoas “para compreender os seus sonhos”. A maioria das pessoas “responde que sonha ter uma ilha na cozinha”. Os inquiridos elegem, então, a cozinha como sendo uma das divisões mais importantes da casa e preocupam-se com a sua funcionalidade.

A designer de interiores destaca ainda o facto de “as pessoas, sobretudo no norte do país, terem orgulho em mostrar a casa”. A equipa constatou ainda que a sala é a divisão onde os portugueses mais investem em mobiliário e decoração, sendo o sofá a peça em que gastam mais dinheiro. 

Mas, ao longo do país também há diferenças. Marta Cunha verificou, por exemplo, que a sul colocam mais a máquina de lavar a roupa na cozinha enquanto a norte é mais habitual estar instalada num espaço próprio, a lavandaria.

Poupar água 

Marcus Arvonen, por se lado, diz que “a definição de casa está a mudar” e é preciso estar atento a outras necessidades, por exemplo contribuir para a pegada ecológica. Neste aspecto, o designer sueco revelou que está a desenvolver um protótipo que vai permitir medir o volume da água que se consome e o tempo que se demora durante o banho.

Enquanto tira do saco o protótipo e um chuveiro, Marcus Arvonen vai explicando que este projecto tecnológico “vai permitir criar consciência e ver o impacto do gasto da água nas nossas casas” e ainda a nível global e ambiental. “O cliente pensa logo em consumir menos água” e contribuir para o bem-estar do planeta, realça, satisfeito. 

A marca de mobiliário sueca surgiu em Portugal em 2004, com a abertura da primeira loja em Alfragide, empregando 2500 pessoas nas cinco lojas existentes.