À medida que a população aumenta, a dieta humana deve reduzir carne, açúcar e sal

Executivo da Nestlé justifica mudanças com limitados recursos naturais do planeta e o crescente problema de saúde pública da obesidade, mas não deixa de referir a cada vez maior consciencialização pública.

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PÚBLICO/Arquivo

A Nestlé, uma das maiores empresas de alimentos do mundo, acredita que o crescimento da população mundial exigirá que as dietas humanas se adaptem, reduzindo o consumo de açúcar, sal e produtos à base de carne. “Temos 7,5 mil milhões de pessoas e a população continua a crescer, por isso é preciso comer mais vegetais, cereais e menos açúcar e produtos à base de carne”, considerou o vice-presidente executivo e chefe de operações nas Américas da Nestlé, Laurent Freixe.

Os limitados recursos naturais do planeta e o crescente problema de saúde pública da obesidade estão por detrás das mudanças que Freixe considera necessárias. O executivo da empresa com sede em Vevey, Suíça, também citou a crescente consciencialização pública sobre o processo de produção de alimentos, bem como questões como o trabalho infantil e desflorestação, que são especialmente pertinentes no Brasil, onde o responsável se encontra para um evento, em São Paulo, com estudantes universitários dos quatro países do Mercosul, que inclui ainda Argentina, Paraguai e Uruguai.

“Trabalhamos constantemente na reformulação dos nossos produtos”, disse o executivo, referindo que a consciencialização pública, que está a crescer em todo o mundo em relação às matérias-primas usadas na produção de alimentos, representa um desafio para todos os grandes processadores de alimentos.

Há muito mais sensibilidade sobre o assunto em todos os lugares, não apenas na Europa ou nos EUA. Estamos num mundo conectado, as pessoas têm acesso à informação, os consumidores querem saber de onde vêm as matérias-primas, se foram produzidas eticamente”, disse.

A Nestlé, que é uma grande compradora mundial de café, açúcar, cacau e leite, entre outras matérias-primas, afirma claramente que não compra artigos que foram produzidos em áreas recentemente desmatadas ou onde se recorra a trabalho infantil. “O ponto de interrogação é como tornar isto possível. Porque existem milhões de agricultores em tantos países”, referiu o executivo. “Quando há uma indicação de um problema, investigamos. Se confirmado, cortamos [relações com] o fornecedor”, remata.

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