Prémios Queijos do Mundo. Portugal tem um amanteigado que vale ouro

Leite cru de ovelha, sal e cardo, sem aditivos. Eis a receita que valeu ao Monte da Vinha uma medalha de ouro nos World Cheese Awards.

O queijo convenceu o júri quanto ao seu corpo, cor, textura, consistência e, acima de tudo, sabor
Foto
O queijo convenceu o júri quanto ao seu corpo, cor, textura, consistência e, acima de tudo, sabor DR

A competir com quase quatro mil produtos, oriundos de todo o mundo, o Queijo de Ovelha Curado Amanteigado da Queijaria Monte da Vinha, com produção no Vimieiro, concelho de Arraiolos, convenceu o painel de 16 jurados quanto ao seu “corpo, cor, textura, consistência e, acima de tudo, sabor” — os itens em análise, durante uma prova cega que decorreu na enorme arena do centro de exposições de Bérgamo, Itália. “Trouxemos o Gold do World Cheese Awards em Bérgamo, na nossa primeira participação, entre 3804 queijos provenientes de 42 países que concorreram em prova cega”, anuncia a empresa numa publicação nas suas redes sociais, concluindo que este é “o reconhecimento do amor e dedicação com que a nossa equipa faz o melhor queijo”.

Dos 3804 queijos em análise, 1449 foram premiados: houve um total de 286 ouros, 469 prata e 610 medalhas de bronze. A excelência foi encontrada em 84 queijos, galardoados com “super ouro”.

Feito apenas com leite cru de ovelha, sal e cardo, sem aditivos, o Monte da Vinha (nascido entre Arraiolos e Estremoz) é um queijo amanteigado que existe em versões pequenas – e até em unidose, criada para poder ser servida nos voos da TAP. Mas, para os fãs de queijos com curas longas, também há um duro e outro bem mais duro, que é conservado em sal (e vende-se em sacos com três pequenos queijos cada).

O queijo é também resultado de uma aventura que fez com que Joana Garcia mudasse de vida, trocando a advocacia pela queijaria, sem fazer ideia de como o fazer: “Sabia exactamente o que queria, só não sabia como lá chegar”, contava ao PÚBLICO, em 2017. Antes de ter sucesso, entrou quase em pré-falência. Estragou muitos queijos até acertar (o primeiro saiu para o mercado em 2004), mas, garantia na época, ser “muito mais feliz como queijeira do que era como advogada”. Agora, distingue-se pelo facto de a sua aventura ser o único queijo português a sair, este ano, de Bérgamo com uma medalha.

Sugerir correcção