Crítica

Um pentito no seu labirinto

Não há grandeza nem nobreza na Mafia. Apenas homens mesquinhos, patéticos à beira da obscenidade. Um triunfo de casting.

,O traidor
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O "épico" convertido em "ópera bufa": homens mesquinhos, patéticos à beira da obscenidade

Histórias italianas são com Marco Bellocchio. Só nos últimos anos, e para nos cingirmos a filmes estreados em Portugal, filmou o rapto de Aldo Moro pelas Brigadas Vermelhas (Bom Dia, Noite), a ascensão de Benito Mussolini (Vencer), e evocou o desastre de Superga em que morreu toda a equipa do “gran Torino” (Sonhos Cor de Rosa). Agora, em O Traidor, foca uma das mais trágicas sagas italianas, a da Mafia, a partir da história do “arrependido” (“pentito”) Tommaso Buscetta, cuja colaboração com a justiça deu origem aos mega-processos dos anos 80 e 90 em que centenas de mafiosos foram postos atrás de grades.