Crítica

Orquestra de fogo

Sei Miguel volta a esticar as fronteiras do jazz criativo.

Sei Miguel
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Nuno Martins

Incomparável e inimitável, o trompetista e compositor Sei Miguel tem desenvolvido um percurso único nos territórios do jazz e das músicas criativas. Tem criado ao longo das últimas três décadas uma música que parte de elementos da tradição do jazz para chegar a algo novo, a uma música que desafia convenções e que brilha entre a multidão. Já não se trata de um fenómeno underground. A obra de Sei Miguel tem sido justamente documentada — através da Clean Feed, que o tem mostrado ao mundo. E agora a editora portuguesa apresenta o seu mais recente registo, desta vez em formato LP. O disco é agora editado, mas O Carro de Fogo de Sei Miguel nasceu há anos. As primeiras aparições remontam a 2011, tendo-se estreado ao vivo em Serralves. Foi evoluindo ao vivo, foram saindo músicos, entraram outros. Mantiveram-se  características base: uma formação alargada com ligação à electricidade. Apesar da natureza da grupo estar ligada à actuação ao vivo, o disco foi gravado em estúdio, em Abril de 2018.