Nuno Crato lidera projecto que vai investir 20 milhões de euros na educação

A Iniciativa Educação pretende combater problemas como a iliteracia ou o abandono escolar. Intervém junto dos alunos do primeiro ciclo e dos cursos profissionais.

Nuno Crato
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Nuno Crato, antigo ministro da Educação. dro daniel rocha

Teresa e Alexandre Soares dos Santos - Iniciativa Educação é o novo projecto da família Soares dos Santos que pretende apoiar a educação em Portugal. O projecto foi apresentado esta terça-feira, 22 de Outubro, pela família Soares dos Santos na biblioteca da Faculdade de Economia da Universidade de Nova de Lisboa.

“Um projecto de intervenção com questões do presente e do futuro”, assim o definiu Inês Soares dos Santos, uma das líderes da equipa. A filha de Teresa e Alexandre Soares dos Santos disse que este é um projecto “de longo prazo para a sociedade portuguesa” e para a educação. O seu irmão, José Soares dos Santos espera que “dentro de cinco anos” já se vejam grandes resultados. Vão ser investidos “para já vinte milhões de euros”, disse o CEO da Sociedade Francisco Manuel dos Santos (que controla a Jerónimo Martins). A totalidade do valor provém de fundos pessoais da família: Teresa, Alexandre e os sete filhos.

O antigo ministro da Educação, Nuno Crato, foi escolhido para liderar esta iniciativa. Nuno Crato admitiu que a educação tem “grandes problemas” que esperam combater com este programa, nomeadamente a iliteracia, onde Portugal tem melhorado os seus resultados. “São ainda 19% os jovens europeus com 15 anos que revelam dificuldades na leitura ao nível mais básico”, em Portugal “são 17,2%”, disse. Outro objectivo, segundo Nuno Crato, é “trabalhar contra o abandono escolar” que “tem vindo a diminuir”, mas que ainda é superior à média da União Europeia. 

O programa é então dividido em dois projectos, o A a Z e o Ser Pro, e um site, o Ed_On (que permite o acesso a todos os interessados a estatísticas e artigos científicos sobre Educação).

O A a Z – Ler Melhor, Saber Mais intervém junto dos alunos de primeiro e segundo ano do ensino básico que tenham dificuldades de aprendizagem. São estes anos mais importantes pois, segundo João Lopes, coordenador deste projecto, “os dois primeiros anos de escolaridade são para aprender a ler e os seguintes para aprender”. O A a Z já está presente em cinco agrupamentos, 25 estabelecimentos de ensino em Gondomar, Moura e nos Açores (São Miguel e Santa Maria). Para este projecto, as escolas aderentes identificaram ao longo do ano passado alunos com algum tipo de dificuldade na aprendizagem, que vão ser os alunos em que o A a Z se focará. João Lopes confirmou que já estão em articulação com os professores de cada turma e que o projecto e os alunos serão avaliados “de três em três semanas”. 

O Ser Pro é um programa que se centra nos estudantes do ensino profissional, desenvolvendo-o de forma a haver uma maior aproximação entre os estudantes e as empresas. Já está presente em oito escolas (em Lisboa, Sacavém, Setúbal, Salvaterra de Magos, Sousel, Moura, Lagoa e Seia), onze cursos profissionais e 27 empresas.​ Isabel Hormigo, coordenadora do projecto, olha para este como uma oportunidade de “desenvolver as regiões” e “garantir empregabilidade” aos alunos. Por exemplo, em Setúbal, a Escola Secundária Sebastião da Gama está a aplicar este projecto no curso profissional Técnico de Desporto, onde usam as potencialidades da região no seu programa curricular, dirigindo-o mais para o mar e para a área náutica.

No que diz respeito ao alargamento da rede da Iniciativa Educação, Inês Soares dos Santos referiu que a prioridade é garantir o “bom funcionamento” nas actuais escolas em que está estabelecido. Porém, no futuro, pretendem que as escolas implementem localmente a sua metodologia, para assim alargarem a rede.

O projecto nasceu como uma ideia de Teresa e Alexandre Soares dos Santos, que já apoiaram diversos projectos na área da educação. Numa mensagem em vídeo, Teresa Soares dos Santos afirma que ela e o marido sempre partilharam “uma enorme fé no poder da educação”. Esta iniciativa foi aprovada a 1 de Agosto, duas semanas antes do falecimento de Alexandre Soares dos Santos.

Texto editado por Rita Ferreira