Netanyahu desiste de formar Governo

Benny Gantz deverá ser encarregado de formar Governo. Não tem nenhum caminho claro para uma maioria, mas será a primeira vez em onze anos que alguém que não Netanyahu recebe esta incumbência.

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Netanyahu passou a possibilidade de formar Governo ATEF SAFADI/EPA

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, anunciou nesta segunda-feira a sua desistência de formar Governo, a dois dias de expirar o prazo oficial. Netanyahu devolve assim o mandato ao Presidente, Reuven Rivlin, que deverá agora encarregar o rival de Bibi, Benny Gantz, de formar Governo.

Nas eleições anteriores, Netanyahu forçou a dissolução do Parlamento para evitar passar o mandato ao rival. Benny Gantz tem agora também 28 dias para fazer aprovar um Governo.

Netanyahu fez o anúncio no Facebook e culpou o seu rival do partido Azul e Branco por não ter aceitado o seu repto para um Governo de unidade nacional, “como o povo quer”. Gantz “recusou uma e outra vez”.

O antigo general repetiu sempre que não participaria num Governo com Netanyahu enquanto este tivesse uma potencial e provável acusação por corrupção sobre a sua cabeça. No início do mês, a equipa legal de Netanyahu já foi ouvida durante quatro dias pela procuradoria-geral, um primeiro passo para uma acusação formal.

O co-líder do Partido Azul e Branco, Yair Lapid, disse que acabou a época da propaganda “e começou a época da acção”. O Azul e Branco “está determinado a formar um governo de unidade nacional liderado por Benny Gantz, que foi o que as pessoas votaram o mês passado” – Gantz ficou ligeiramente à frente de Netanyahu.

Mas Gantz não tem uma via clara para uma maioria. Poderia conseguir formar um governo de unidade se Netanyahu aceitasse uma chefia do Governo rotativa ficando com a segunda metade (para permitir o esclarecimento das acusações de corrupção), o que é muito pouco provável, ou se o partido de Netanyahu, o Likud, admitisse afastá-lo e participar no Governo com outro líder, o que também não parece provável.

Analistas que antes não punham sequer a hipótese de uma segunda eleição em Israel começam a pôr a hipótese de uma terceira votação.