E-commerce: como o comportamento está a ditar tendências

A tecnologia mudou a forma como fazemos as nossas compras. A pesquisa por voz e a realidade aumentada têm actualmente uma forte expressão no e-commerce mas novos desafios estão a ser colocados ao sector. Neste artigo vamos mostrar-lhe as tendências do mundo das compras online e como algumas marcas se estão a adaptar.

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Estamos a mudar radicalmente os nossos hábitos de consumo. As compras não só são feitas de forma diferente, como são encaradas de uma nova forma. O computador ou o smartphone tornaram-se, para grande parte de nós, “o meio de ir às compras”. 

Pesquisamos, comparamos, recolhemos informação, pedimos opiniões e lemos críticas, vemos reviews no Youtube, compramos, recebemos e avaliamos a experiência e o produto. No final ainda partilhamos a avaliação e fazemos um relato da experiência com a nossa comunidade digital.

No entanto, importa perceber quais vão ser as tendências que vão ditar o caminho desta área de negócio em constante crescimento.

Realidade aumentada: uma tecnologia com provas dadas

A Realidade Aumentada não é um conceito novo, contudo foi uma tecnologia que só recentemente despertou mais interesse dos utilizadores e, consequentemente, das marcas. Hoje, a realidade aumentada (RA) é vista como uma tecnologia revolucionária, que promete mudar a face do comércio electrónico – e não só – a nível mundial.

No que diz respeito ao e-commerce, a realidade aumentada tem sido responsável por uma série de inovações que procuram tornar as compras online numa experiência mais profunda, capaz de oferecer aos consumidores uma amostra da realidade que lhes permita tomar melhores decisões, ou pelo menos decisões mais seguras e conscientes.

Um dos exemplos de projectos desenvolvidos nesta área é o da Sephora, que criou a Sephora Virtual Artist. Uma aplicação que permite fazer o upload de uma fotografia, para depois escolher e experimentar a maquilhagem que melhor se ajusta à sua pele, sem sequer sair do seu lugar.

Ikea também já permite que os clientes possam ver como é que determinado artigo vai encaixar na decoração da sua casa - através de uma app - possibilitando assim que se poupe tempo e dinheiro.

Outro sistema utilizado por alguns automóveis é o chamado Heads-Up Display (HUD), que já está a ser utilizado pela Volvo. Uma tecnologia que permite dar ao condutor informações como velocidade, direcções, distância percorrida ou nível de bateria. O objectivo é que o condutor não tire os olhos da estrada e a condução se torne mais segura. 

Pesquisa por voz: uma tendência que se tem imposto

Este é um assunto que vai andar, literalmente, nas bocas do mundo. Estudos recentes indicam que no próximo ano 50% de todas as pesquisas digitais vão ser feitas por voz, não estando limitadas a smartphones e tablets.

Os assistentes pessoais Google Home, Amazon Echo ou Apple Pod já entram neste lote e estão a assumir um destaque cada vez maior.

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D.R.

Vejamos o exemplo da Nestlé, que em 2017 lançou o serviço de pesquisa por voz, permitindo uma experiência completamente nova para os consumidores que gostam de cozinhar. Com a ajuda da Alexa, a assistente virtual da Amazon, os consumidores podiam assim melhorar as aptidões na cozinha, através de um processo em que iam sendo guiados por instruções dadas por voz, ao longo do processo.

Já a Pizza Hut tornou mais fácil encomendar uma pizza (para levar ou comer no restaurante) através do chat no Facebook Messenger ou no Twitter. Não nos esqueçamos que os chatbots são uma das formas que as marcas têm utilizado para se aproximarem dos consumidores.

Podemos por isso concluir que a pesquisa por voz não é apenas uma tendência, é também um marco incontornável na forma como fazemos compras e como nos relacionamos com o mundo.

Pesquisa com imagens: a tecnologia que faz suspirar os Millennials

Um estudo recente da Social Media Today diz que a “revolução” tecnológica mais esperada por cerca de 60% dos Millennials é a pesquisa por imagens. A ideia passa por tirar uma fotografia a qualquer produto que vemos e em seguida fazer upload da imagem para o motor de busca, ou mesmo para o site. Fazemos uma pesquisa utilizando aquela imagem, para sermos depois encaminhados para sites onde podemos ver e comprar o artigo que está na fotografia que acabámos de usar.

A Google já possibilita este tipo de pesquisa. A chamada “reverse image search”, que permite fazer o upload de uma imagem e imediatamente começar a receber vários resultados de imagens semelhantes, bem como a ligação aos websites onde podemos encontrar essas imagens. Resta saber, como as marcas se irão adaptar a mais esta tendência.

Live Shopping: uma tendência em directo

Sabemos que a rapidez com que se aproveita uma oportunidade é um factor essencial, principalmente no caso das promoções. Não é por acaso que numa altura em que cada vez mais valorizamos uma boa experiência, as marcas apostem no live shopping. Mas do que se trata? Imagine que recebe um alerta no seu smartphone a dizer: “Existe uma promoção a acontecer agora mesmo – basta carregar no botão”.

O objectivo é cada vez mais aproximarem-se das gerações Millenials e Geração Z que têm, mais do que nunca, transformado a forma de fazer compras.

Algumas cadeias já estão a apostar nesta tendência. Veja-se o exemplo da H&M que anunciou na semana passada a disponibilização do streaming shopping, que irá começar a funcionar no final deste Outono.

A questão que se coloca é: que impacto terá o live commerce em 2020?

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