Montepio lança cartão de débito especial para cegos

Novo cartão é mais fácil de identificar e indica a posição correcta para o inserir nas caixas de multibanco.

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Goncalo Dias

O Banco Montepio lançou esta segunda-feira um cartão de débito com uma marca “que faz toda a diferença no dia-a-dia das pessoas com deficiência visual”. Trata-se de uma pequena “ranhura”, em forma de meia-lua, posicionada num dos lados do cartão, que permite às pessoas cegas distinguir este cartão de outros, de uma forma simples e imediata, explica a instituição.

Em comunicado, o banco adianta que com o novo cartão, as pessoas com deficiência visual passam a saber a forma correcta de inserção numa Caixa Multibanco, ultrapassando um dos obstáculos que hoje encontram. Com a ranhura, as pessoas cegas sabem, “imediata e intuitivamente qual a posição correcta para colocar o cartão”.

Com os novos cartões, o Banco Montepio refere que “dá mais um passo num caminho que tem o propósito de ajudar a quebrar barreiras no acesso a serviços básicos e essenciais, tornando mais fácil, acessível e tão normal quanto possível a vida dos cidadãos com deficiência visual”.

Recentemente, o PÚBLICO deu conta da dificuldade que os cidadãos cegos ou amblíopes estão a ter para realizar operações bancárias através dos canais digitais. Em causa estão as novas regras de autenticação forte, uma exigência comunitária, que alguns bancos flexibilizaram quando se trata de cidadãos invisuais e outros não.

O Banco Montepio é uma das instituições que acautelou as dificuldades dos cegos, ao dar mais tempo para a utilização do código de segurança enviado para o telemóvel. Ao dar dois minutos, o dobro do praticado pela maioria dos bancos, os invisuais conseguem (através de aplicações específicas) passar a mensagem escrita para áudio, e concluir a tempo as operações que pretendem realizar. Também os clientes do BCP continuam a realizar operações depois da entrada das novas regras de autenticação forte.

Ao PÚBLICO, o Banco de Portugal (BdP) confirmou a recepção “de alguns pedidos de esclarecimento de prestadores e de utilizadores de serviços de pagamento sobre a aplicação dos novos requisitos de autenticação forte a cidadãos invisuais ou amblíopes”. 

A instituição liderada por Carlos Costa adiantou que “cabe a cada instituição a definição e implementação dos mecanismos que considere mais adequados, desde que os mesmos cumpram os requisitos estabelecidos”, e dá como exemplos de mecanismos possíveis “os baseados em apps e elementos biométricos (impressão digital ou reconhecimento facial ou de voz)”.

Avança ainda, especificamente sobre o envio dos SMS, “que tendo em consideração que a principal dificuldade se deve ao facto de a mensagem ser muito extensa e de não permitir a transformação atempada em áudio, os bancos podem, por exemplo: reduzir a informação constante do SMS apenas ao código que o cliente tem de introduzir no homebanking (não necessitam de incluir a informação do beneficiário nem o montante da operação, podendo apresentar esta informação na página de homebanking onde o cliente introduz o código); ou aumentar o tempo de time out (disponível) para introdução desse código.

Os bancos terão, até final de 2020, de adoptar regras mais seguras para os pagamentos pela internet com cartões de débito ou de crédito e, também aqui, será necessário que os procedimentos a criar respeitem as necessidades dos clientes invisuais.